Países não cumprirão meta de retirar minas terrestres--relatório

segunda-feira, 12 de novembro de 2007 14:13 BRST
 

Por Robert Evans

GENEBRA (Reuters) - Quase metade dos 29 países obrigados por um tratado internacional a eliminar até 2010 as minas terrestres plantadas em seu território não vão conseguir cumprir a meta, afirmou nesta segunda-feira a entidade que supervisiona o pacto.

Mas a entidade, chamada Campanha para Banir Minas Terrestres (ICBL), também observou avanços no cumprimento do tratado desde o início de 2006, como o número maior de nações que estão destruindo seus estoques e a redução nos incidentes com vítimas.

"Catorze países não estão no ritmo certo para cumprir os prazos do acordo para a limpeza de áreas minadas", disse o relatório anual do ICBL, uma coalizão de organizações não-governamentais.

Entre esses países, afirmou o documento, estão a Grã-Bretanha e a França, que têm de retirar até 2009 as minas terrestres das ilhas Falkland -- ou Malvinas, para os argentinos --, que foram colocadas lá em 1982, e do entorno de uma base militar francesa no Djibuti. Nenhum dos dois esforços de limpeza começou.

A Convenção sobre a Proibição do Uso, do Acúmulo, da Produção e da Transferência de Minas Antipessoais e sobre sua Destruição entrou em vigor em 1999, e até agosto deste ano tinha 155 países signatários.

Os 29 países comprometidos em eliminar as minas são aqueles que receberam o prazo de dez anos para cumprir a meta a partir da data de adesão à convenção -- o que significa que alguns têm de concluir a operação até 2009 e outros até 2010.

Ainda não fazem parte da convenção Estados Unidos, Rússia, China, Índia e Paquistão, que insistem que precisam da arma para fins de defesa.

Apesar disso, segundo Steve Goose, do conselho editorial do relatório, até os países não-signatários estão "cumprindo suas obrigações centrais", e as minas antipessoais estão cada vez mais estigmatizadas.

Mas o texto ressaltou que Mianmar continua a usar as minas terrestres em suas ações militares contra rebeldes e que o Exército russo, assim como os rebeldes chechenos, depositaram mais minas na Chechênia.

Em 2006, o número de feridos por minas terrestres no mundo inteiro caiu 16 por cento em relação ao ano anterior, chegando a 5.751. Do total, 41 por cento dos casos aconteceram no Afeganistão, em Camboja e na Colômbia. O país latino-americano foi o que registrou mais vítimas em 2006 -- 1.106, uma média de três por dia.