VALE aguarda infra-estrutura no Pará para viabilizar siderúrgica

terça-feira, 3 de junho de 2008 14:47 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Vale aguarda que os governos estadual e federal dêem prosseguimento aos projetos de infra-estrutura no Pará para poder viabilizar a construção de uma siderúrgica com capacidade para entre 2,5 e 5 milhões de toneladas por ano, informou o presidente da mineradora, Roger Agnelli.

Ainda sem um parceiro estrangeiro para a unidade, ao contrário de outros projetos siderúrgicos estimulados pela Vale no país, a siderurgia no Pará poderá ser feita sem sócios, admitiu Agnelli, que entretanto não acha isso provável.

"O governo federal ficou de terminar a eclusa de Tucuruí, o governo estadual junto com o federal ficou de olhar o porto (de Espadarte). Quando tudo isso estiver claro, com o estudo de viabilidade pronto, nós vamos ver se vamos buscar parceiros ou não. Certamente vamos querer, disse o executivo a jornalistas durante o I Encontro Nacional da Siderurgia, ressaltando que a usina será feita "com ou sem parceiros".

Agnelli voltou a criticar a verticalização de siderúrgicas brasileiras, que vêm buscando a compra de minas de minério de ferro para reduzir o custo, afirmando que esses recursos seriam muito melhor utilizados no aumento de capacidade para enfrentar a competição no mercado mundial.

Recentemente, a Vale anunciou a venda de sua participação acionária na Usiminas afirmando discordar da visão estratégica da companhia, que adquiriu a mineradora JMendes no início deste ano.

"Estão alocando capital de maneira errada, ineficiente...se a siderurgia brasileira ou outras siderúrgicas do mundo inteiro não pensarem estrategicamente em se posicionar no jogo da consolidação mundial, vão perder espaço", afirmou.

Segundo Agnelli, a verticalização "é uma moda" e a competitividade da siderurgia depende de tecnologia e escala. "Tivemos um excesso de conservadorismo no crescimento da siderurgia", avaliou.

O presidente da maior produtora de minério de ferro do mundo disse ainda que o ciclo de crescimento do preço do minério será mais longo do que se imaginava, com vários países, inclusive o Brasil, investindo em infra-estrutura. Segundo ele, a estabilidade só será obtida com o equilíbrio entre a oferta e a demanda, o que está longe de ser conseguido.

"Todo mundo achava que estava praticamente no final (o ciclo de crescimento de preços), mas esse ciclo deve continuar, os projetos de energia, siderurgia, mineração estão ainda mais caros do que se imaginava, e isso vai se refletir no preço do minério", avaliou.