March 14, 2008 / 2:31 PM / 9 years ago

Fundação Viera de Mello homenageará mediadores de conflito

4 Min, DE LEITURA

Por Stephanie Nebehay

GENEBRA (Reuters) - Pouco depois do atentado a bomba que matou em 2003 o então enviado da Organização das Nações Unidas ao Iraque, Sérgio Viera de Mello, a viúva e seus filhos decidiram que iriam continuar com o trabalho dele em nome das vítimas de conflitos armados.

Em uma entrevista, Annie Viera de Mello falou sobre o grande idealismo deste brasileiro notável, que trabalhou em pontos de conflito de várias regiões do globo, do Camboja ao Timor Leste, durante sua carreira de 30 anos na ONU.

Seu marido, apontado por alguns como o possível futuro secretário-geral da entidade, estava entre as 22 pessoas mortas quando um caminhão carregado com explosivos atingiu o Canal Hotel, o complexo da ONU em Bagdá. O ataque ocorreu pouco depois da invasão do Iraque liderada pelos EUA.

Annie e seus filhos, Laurent e Adrien, estavam à beira do lago Genebra, em um dia de verão, quando ouviram a notícia sobre o ataque, até hoje o mais violento contra o órgão internacional desde sua criação, em 1945.

"Depois que as crianças e eu recebemos tantas homenagens e vimos as demonstrações de empatia, acreditamos que ele ainda tinha um papel a desempenhar", afirmou Annie à Reuters, na sede européia dos órgãos de ajuda humanitária da ONU, em Genebra, cidade que concentra várias entidades do tipo.

"Para nós, isso era o mais óbvio a fazer porque, quando alguém está de luto e sofrendo, essa pessoa deseja se apegar àquilo que perdeu", afirmou Annie, uma elegante francesa.

Com amigos e familiares, ela criou uma fundação com sede na Suíça para promover o diálogo em busca da paz. A fundação leva o nome do marido (www.sergiovdmfoundation.org).

Seu patrono, o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, fará a aula inaugural memorial chamada Sérgio Viera de Mello em Genebra, na segunda-feira, dois dias depois daquele que seria o aniversário de 60 anos do brasileiro.

A fundação concederá bolsas para jovens cujas famílias são vítimas da guerra, bem como um prêmio anual em reconhecimento ao trabalho dos que se empenham para mediar conflitos.

"Esse seria, por exemplo, um médico ou um professor que se expõe a perigos a fim de encorajar o diálogo", afirmou Annie, que está requisitando dinheiro de agências da ONU, de governos de vários países e de pessoas físicas para pagar pelos prêmios.

"Esperamos que o nome do meu marido possa dar reconhecimento e apoio a essa pessoa, incentivando-a a prosseguir em sua luta", afirmou.

O brasileiro ficou conhecido por seus esforços para promover a compreensão em situações complicadas. Entre outras atividades, ele manteve negociações com o líder palestino Yasser Arafat quando trabalhou para as Forças Interinas da ONU no Líbano, no começo dos anos 1980.

"Ele era um homem de ação, de negociações, que gostava de conhecer pessoas e tentar entender os conflitos", disse Annie.

"Ele gostava de juntar as pessoas para encontrar uma solução, por isso a fundação é baseada na idéia de diálogo entre comunidades em conflito."

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