Rivais libaneses chegam a acordo para encerrar crise

quarta-feira, 21 de maio de 2008 09:40 BRT
 

Por Nadim Ladki

DOHA (Reuters) - Líderes rivais libaneses assinaram na quarta-feira um acordo para encerrar 18 meses de conflito político que quase provocaram uma guerra civil.

O Parlamento deve se reunir no domingo para eleger o general Michel Suleiman como presidente do país, disseram à Reuters assessores do presidente do Parlamento, Nabih Berri.

Representantes do governo, que tem apoio dos EUA, e do partido Hezbollah, apoiado pelo Irã e Síria, disseram à Reuters que as disputas sobre a nova lei eleitoral para 2009 e sobre um novo gabinete foram resolvidas ao longo dos seis dias de discussões sob mediação árabe no Catar.

O acordo também cede à antiga reivindicação da oposição por poder de veto no gabinete. O governo rejeitava essa cláusula, temendo que ela abrisse as portas a um recrudescimento da influência síria sobre o Líbano.

Neste mês o Hezbollah usou a força para expulsar seguidores do governo de algumas áreas, em incidentes que deixaram 81 mortos. Foi a pior crise no país desde a guerra civil ocorrida entre 1975 e 1990, exacerbando as tensões entre os muçulmanos xiitas (simpáticos ao Hezbollah) e os muçulmanos drusos e sunitas (que apóiam o governo).

O acordo permitirá que o Parlamento finalmente eleja o general Michel Suleiman como presidente, cargo vago desde o fim do mandato de Emile Lahoud, em novembro, já que não havia acordo sobre a sucessão.

"Hoje estamos abrindo uma nova página na história do Líbano", disse o dirigente governista Saad Al Hariri, cotado como futuro premiê no novo gabinete. "Sei que as feridas são profundas, mas só temos uns aos outros", acrescentou.

Mohammed Raad, líder do Hezbollah, afirmou que o acordo vai ajudar a "fortalecer a convivência e a construção do Estado". Irã e Síria também elogiaram o acordo.

"Este é um compromisso que, se for bem usado pelos libaneses, pode se transformar em um acordo sólido", disse o comentarista Talal Salman, no jornal pró-oposicionista As-Safir. "Ele corrige o equilíbrio numa fórmula sem vencedores nem vencidos."

Pelo acordo, as partes também se comprometem a não usar a violência nas disputas políticas, repetindo um parágrafo no acordo que havia suspendido os combates.