March 13, 2008 / 3:33 PM / 9 years ago

UE deve fixar cronograma para enfrentar mudanças climáticas

5 Min, DE LEITURA

Por Mark John

BRUXELAS, 13 de março (Reuters) - Os dirigentes da União Européia (UE) devem acertar na quinta-feira um cronograma para adotar medidas de combate às mudanças climáticas, cronograma esse que poderia ditar o ritmo das negociações internacionais a respeito do assunto que ocorrem no ano que vem.

A UE se considera a líder mundial do combate ao aquecimento desde que seus países-membros acertaram, no ano passado, diminuir sensivelmente as emissões de gases do efeito estufa e ampliar o consumo de energia produzida a partir de fontes renováveis.

Mas caso não haja um acordo sobre os detalhes do cronograma até o começo do próximo ano, o bloco não conseguiria aprovar as leis previstas e perderia força nas negociações com outros países, entre os quais os EUA. Essas negociações estão marcadas para começar em Copenhague, em novembro de 2009.

Os 27 países-membros da UE devem acertar, durante uma cúpula de dois dias marcada para ocorrer em Bruxelas, a aprovação de leis até março próximo a fim de que cumpram suas metas de combate às mudanças climáticas.

A cúpula deve ainda confirmar os apelos por mais transparência nos mercados financeiros depois da crise global de crédito e rever um plano franco-alemão para melhorar os laços da UE com os países do Mediterrâneo.

Sublinhando os fatores de risco que prejudicam atualmente as previsões de crescimento para as economias européias, o euro bateu um novo recorde de alta na quinta-feira, chegando a 1,56 dólar, enquanto os preços do petróleo rondavam perto de um pico de 110 dólares o barril.

Mas as questões ambientais devem predominar na cúpula.

Os líderes da UE estão cientes de que outros países também preparam suas economias e indústrias para medidas mais duras de combate ao aquecimento global, que devem entrar em vigor após o fim, em 2012, da primeira fase do Protocolo de Kyoto, o acordo selado para reduzir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

"Os EUA começaram a investir em tecnologia conversacionista e em fontes renováveis de energia", afirmou José Manuel Barroso, presidente da Comissão Européia (Poder Executivo da UE), ao jornal italiano Il Sole 24 Ore.

"Quando eles decidirem fazer isso em grande escala, a Europa terá dificuldade para ser competitiva se não se decidir por pisar no acelerador imediatamente."

Além de diminuir, até 2020, as emissões em ao menos um quinto dos níveis verificados em 1990, os países da UE concordaram com usar, até a mesma data, 20 por cento de combustíveis de fontes renováveis na produção de energia e 10 por cento de biocombustíveis no setor de transportes.

O grupo ambientalista Greenpeace defendeu que as metas de corte "sejam muito maiores do que isso". Referindo-se a um alerta divulgado por um jornal europeu sobre a possibilidade de as mudanças climáticas alimentarem a violência no cenário mundial, o grupo pediu que o bloco concentre-se na causa básica do problema.

"A competição por recursos naturais cada vez mais escassos, as migrações provocadas pelas mudanças climáticas, os conflitos e os desastres humanitários, tudo isso representa perigos bastante reais. Mas os dirigentes da UE precisam agir agora a fim de evitar as consequências piores das mudanças climáticas ao invés de ficarem apenas tratando dos sintomas", disse o Greenpeace em um comunicado.

Os países da UE ainda não chegaram a um acordo sobre a forma de atuar nos setores de alto consumo de energia, como os do aço, do cimento e do alumínio, sobre a forma de reduzir as emissões de dióxido de carbono dos carros e sobre se devem ou não dividir as grandes empresas de energia da Europa.

O bloco também enfrenta dúvidas cada vez maiores sobre sua meta de consumo de biocombustíveis. Cientistas e economistas questionam os benefícios sociais e ambientais dessa opção, que provocaria, entre outras coisas, um aumento agudo no preço dos alimentos.

Reportagem adicional de Ingrid Melander em Bruxelas e Ian Simpson em Milão

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