28 de Março de 2008 / às 15:24 / 9 anos atrás

Austrália defende sua resposta a atentados em Timor Leste

Por James Grubel

CANBERRA (Reuters) - A Austrália defendeu com vigor na sexta-feira sua resposta militar à tentativa de assassinato dos líderes de Timor Leste.

As declarações do país surgiram depois de o presidente timorense, José Ramos-Horta, ter afirmado que os australianos poderiam ter se esforçado mais para capturar os agressores.

Ramos-Horta, que ficou gravemente ferido após ser atingido por dois tiros em 11 de fevereiro, dia em que militares fiéis ao líder rebelde Alfredo Reinado lançaram ataques contra o presidente e contra o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, em Dili (capital).

Atualmente se recuperando na cidade de Darwin, norte da Austrália, para onde foi levado a fim de receber tratamento, Ramos-Horta afirmou que um número maior dos soldados envolvidos na tentativa de assassinato poderia ter sido detido se as forças lideradas pela Austrália houvessem isolado imediatamente Dili.

O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, disse ter conversado com Ramos-Horta por telefone nos últimos dias e defendeu as medidas tomadas pelos militares da Austrália e a resposta deles aos ataques.

“Acho que as forças australianas agiram de forma muito eficiente. Eu acredito que agiram com um profissionalismo absoluto na forma como enfrentaram uma crise muito delicada”, afirmou Rudd a repórteres, em Washington.

“O fato de José ter conseguido chegar tão rapidamente à clínica médica internacional na base australiana em Dili é, devo dizer, o grande motivo pelo qual conseguimos ajudar José a sobreviver.”

Ramos-Horta contou ao canal Australian Broadcasting Corp. que ficou sangrando, deitado no chão, por cerca de 30 minutos após ter sido alvejado. Só então, uma ambulância chegou ao local, mas sem nenhuma equipe médica a bordo.

O presidente de Timor Leste afirmou não estar indignado com a resposta australiana, mas disse que as forças do país vizinho, sob o comando da Organização das Nações Unidas (ONU), poderiam ter se esforçado mais para capturar os agressores.

Segundo Ramos-Horta, equipes médicas e soldados australianos salvaram a vida dele, fornecendo-lhe transfusões de sangue na base militar da Austrália antes de levá-lo até Darwin para ser submetido a uma cirurgia de emergência.

“Eu diria que as forças lideradas pela Austrália poderiam ter cercado prontamente toda a cidade, fechando todas as saídas, usando helicópteros e enviando soldados, imediatamente, para a minha casa a fim de conseguir informações sobre os agressores”, afirmou.

“Eles teriam conseguido capturá-los dentro de poucas horas, porque, muitas horas depois do ataque à minha casa, eles ainda estavam nos morros localizados nas cercanias da minha casa.”

Reinado morreu no ataque, mas outros soldados rebeldes conseguiram fugir e muitos continuam livres. Gusmão escapou ileso da tentativa de assassinato.

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