Sarkozy parabeniza Putin e contraria críticas européias

terça-feira, 4 de dezembro de 2007 15:36 BRST
 

Por Paul Taylor

BRUXELAS (Reuters) - A atitude do presidente da França, Nicolas Sarkozy, de telefonar para o russo Vladimir Putin e parabenizá-lo pela vitória de seu partido nas eleições parlamentares de domingo deixou a União Européia surpresa, já que crescia a pressão para que a Rússia investigasse as denúncias de irregularidades no pleito.

A Alemanha, aliada da França, havia chamado a eleição russa de "nem livre, nem justa, nem democrática", pelos padrões ocidentais, e a maioria dos governos europeus tinha manifestado preocupação com a lisura do processo eleitoral.

A iniciativa de Sarkozy pareceu contrariar seu próprio Ministério das Relações Exteriores, que havia criticado as eleições. A notícia do telefonema foi dada pelo porta-voz de Sarkozy, David Martinon, na noite de segunda-feira, durante uma visita oficial à Argélia.

Diplomatas disseram que a Presidência da UE, que está com Portugal, queria fechar um acordo entre os 27 países-membros por uma declaração conjunta sobre o assunto, mas que estava difícil chegar a um consenso.

Um outro diplomata disse que a proposta de declaração que circulou na segunda-feira criticava o tratamento dado pela Rússia ao escritório de monitoramento eleitoral da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e pedia às autoridades russas que permitissem a entrada dos monitores da OSCE para fazer um trabalho de campo já nos preparativos para as eleições presidenciais de março.

A desavença européia em relação às eleições russas evidencia a dificuldade do bloco em falar em uníssono à Rússia, sua principal fornecedora de energia.

Desde que assumiu a Presidência, em maio, Sarkozy adotou um tom mais crítico em relação à Rússia se comparado ao de seu antecessor, Jacques Chirac, que mantinha um relacionamento especial com Putin, em parte para contrabalançar o poder dos Estados Unidos.

Políticos da oposição acusaram Sarkozy de colocar interesses econômicos acima dos direitos -- em sua viagem à China, o presidente não levou seu ministro para os direitos humanos.

(Reportagem adicional de François Murphy, Kerstin Gehmlich em Paris e Axel Bugge em Lisboa)

 
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