EXCLUSIVO-AIEA faz primeira visita a centrífugas do Irã

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008 18:34 BRST
 

Por Mark Heinrich

VIENA (Reuters) - O Irã autorizou monitores da ONU a visitarem pela primeira vez uma instalação de desenvolvimento de centrífugas, num gesto de transparência em relação a seu polêmico programa nuclear, disseram diplomatas familiarizados com o assunto.

Um desses diplomatas, próximo à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), disse que os inspetores estão concluindo a investigação sobre a atividade nuclear iraniana e manifestaram preocupação com eventuais consequências negativas de novas sanções internacionais ao país.

Diplomatas ocidentais disseram que o convite não era significativo e que não há por que aliviar a pressão sobre Teerã. Seis potências definiram na terça-feira em Berlim uma proposta de resolução da ONU com novas sanções, mas não tão intensas quanto os EUA desejavam.

O Ocidente suspeita que o Irã possa usar sua tecnologia nuclear para desenvolver armas. Teerã diz que seu objetivo é apenas gerar energia com fins pacíficos.

A AIEA diz que o Irã se comprometeu neste mês a responder num prazo de quatro semanas às dúvidas ainda existentes e entregou algumas informações sobre seus esforços para desenvolver uma "nova geração" de centrífugas capazes de refinar urânio -- matéria-prima para usinas e armas nucleares -- com muito mais rapidez.

Na quarta-feira, diplomatas familiarizados com o tema disseram à Reuters que o diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, e seu diretor de salvaguardas, Olli Heinonen, visitaram a instalação em Teerã onde está sendo desenvolvida uma centrífuga que substituiria o atual modelo usado pelo país, ultrapassado e sujeito a quebras.

O Irã havia proibido em 2006 o acesso dos inspetores à maioria das suas instalações nucleares, em retaliação às manobras das grandes potências ocidentais para adotar as primeiras sanções contra o programa nuclear do país. No mesmo ano, o governo iraniano anunciou ter centrífugas nucleares em funcionamento.

TEMOR DE SANÇÕES   Continuação...