Sem acordo sobre CPMF, governo busca salvar DRU

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 15:59 BRST
 

Por Renata de Freitas

BRASÍLIA (Reuters) - Dando um passo adiante na negociação com o PSDB nesta quarta-feira, o governo acertou com os tucanos votar em separado a Desvinculação de Receitas da União (DRU), caso não haja um acordo sobre a prorrogação da CPMF.

A DRU, que consta da mesma proposta que renova a CPMF até 2011, é um mecanismo que permite ao governo mobilidade na utilização de parcela dos recursos da União.

O Democratas (DEM) não tem questão fechada contra a DRU. O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), admitiu tentar uma discussão em conjunto com o PSDB se o governo deixar a CPMF para 2008. "DRU não é carga tributária. Eu consultaria a bancada já que a DRU é uma questão em aberto", afirmou Agripino.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), esteve reunido com o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), no início da tarde no Senado. Ao sair do encontro, anunciou que havia um acordo para levar a DRU a votação separadamente se as negociações sobre CPMF fracassarem.

"Estamos trabalhando, tentando construir o entendimento, mas votamos a CPMF hoje mesmo", afirmou Jucá a jornalistas. "Se houver radicalização, vamos votar separadamente a DRU. Tem alguns parlamentares que são contra a CPMF, mas que apoiariam a DRU", disse.

A votação em separado da DRU seria possível se forem destacados dois artigos da PEC, segundo Jucá. Ele procurou justificar a iniciativa da desvinculação dizendo que a DRU preocupa o governo, mas evitando deixar em segundo plano a CPMF.

A proposta governamental para a renovação do chamado "imposto do cheque" até o momento, de acordo com Jucá, mantém a redução progressiva da alíquota, o teto de isenção, a DRU da educação e mais recursos para saúde.

O presidente do PSDB disse que a iniciativa do governo mostra que não há confiança na aprovação da CPMF. "Isso mostra sem sombra de dúvida que o governo está inseguro", disse Guerra.

O líder do PSB, Renato Casagrande (ES), que compõe a base governista, disse que aprovar a DRU é pouco. "É importante, mas não é tranquilizador", comentou. O senador defende que o governo seja mais "audacioso" na proposta ao PSDB para ter a CPMF aprovada. "O governo tenta acertar a calibragem, mas precisa ver se o PSDB quer vir", disse.