Enviado da ONU não consegue ver dissidente importante de Mianmar

quinta-feira, 15 de novembro de 2007 12:46 BRST
 

YANGUN, Mianmar (Reuters) - O relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para a área de direitos humanos em Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse não ter conseguido se encontrar com o dissidente Min Ko Naing na Prisão Insein, de Yangun, na quinta-feira.

Foi o último dia da visita de Pinheiro ao país asiático para investigar a repressão lançada em agosto e setembro pelo governo contra manifestantes pró-democracia.

Um diplomata havia dito antes à Reuters que o brasileiro tinha conseguido encontrar-se com Min Ko Naing, detido desde a metade de agosto, quando a junta militar que controla Mianmar começou a reprimir os protestos que começaram contra uma alta no preço dos combustíveis e a queda constante dos padrões de vida.

Pinheiro afirmou a repórteres que sua visita a Insein havia incluído encontros com ativistas como Su Su Nway, detida na terça-feira, e com o mais antigo prisioneiro político de Mianmar, o jornalista Win Tin.

"Ele está sempre otimista, apesar de ter 78 anos de idade e de ter passado os últimos 18 na prisão", disse o brasileiro no aeroporto de Yangun, pouco antes de partir rumo à Tailândia.

Além de não ter conseguido encontrar-se com Min Ko Naing, Pinheiro viu ser recusado seu pedido para ver a líder oposicionista Aung San Suu Kyi.

A junta militar diz que apenas 91 das quase 3.000 pessoas detidas nas ações de repressão não foram libertadas, apesar de um diplomata que trabalha em Yangun ter afirmado que ainda há, atrás das grades, cerca de mil dos ativistas detidos em agosto e setembro.

Essa cifra não inclui os 1.100 prisioneiros políticos que, segundo a ONU e grupos de direitos humanos, o país mantinha presos antes do início das manifestações.

Meios de comunicação oficiais afirmam que dez pessoas foram mortas na onda repressiva. Governos ocidentais, no entanto, estimam que a cifra real é muito maior.   Continuação...