15 de Novembro de 2007 / às 14:45 / em 10 anos

Enviado da ONU não consegue ver dissidente importante de Mianmar

YANGUN, Mianmar (Reuters) - O relator da Organização das Nações Unidas (ONU) para a área de direitos humanos em Mianmar, o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, disse não ter conseguido se encontrar com o dissidente Min Ko Naing na Prisão Insein, de Yangun, na quinta-feira.

Foi o último dia da visita de Pinheiro ao país asiático para investigar a repressão lançada em agosto e setembro pelo governo contra manifestantes pró-democracia.

Um diplomata havia dito antes à Reuters que o brasileiro tinha conseguido encontrar-se com Min Ko Naing, detido desde a metade de agosto, quando a junta militar que controla Mianmar começou a reprimir os protestos que começaram contra uma alta no preço dos combustíveis e a queda constante dos padrões de vida.

Pinheiro afirmou a repórteres que sua visita a Insein havia incluído encontros com ativistas como Su Su Nway, detida na terça-feira, e com o mais antigo prisioneiro político de Mianmar, o jornalista Win Tin.

“Ele está sempre otimista, apesar de ter 78 anos de idade e de ter passado os últimos 18 na prisão”, disse o brasileiro no aeroporto de Yangun, pouco antes de partir rumo à Tailândia.

Além de não ter conseguido encontrar-se com Min Ko Naing, Pinheiro viu ser recusado seu pedido para ver a líder oposicionista Aung San Suu Kyi.

A junta militar diz que apenas 91 das quase 3.000 pessoas detidas nas ações de repressão não foram libertadas, apesar de um diplomata que trabalha em Yangun ter afirmado que ainda há, atrás das grades, cerca de mil dos ativistas detidos em agosto e setembro.

Essa cifra não inclui os 1.100 prisioneiros políticos que, segundo a ONU e grupos de direitos humanos, o país mantinha presos antes do início das manifestações.

Meios de comunicação oficiais afirmam que dez pessoas foram mortas na onda repressiva. Governos ocidentais, no entanto, estimam que a cifra real é muito maior.

Min Ko Naing, a figura política de maior projeção de Mianmar depois de Aung San Suu Kyi, foi libertado em 2004 após passar 15 anos preso por ter liderado manifestações estudantis em 1988. Esses protestos também foram reprimidos pelo Exército.

Fora da cadeia, o ativista continuou a criticar os militares, no comando do país há 45 anos.

Min Ko Naing estava entre os 13 dissidentes presos em agosto sob a acusação de provocarem distúrbios e de minarem a paz e a segurança do país. Os acusados podem ser condenados a até 20 anos de prisão.

Apesar de várias denúncias sobre as pessoas presas em setembro estarem sendo submetidas a condições de vida subumanas, alguns dos membros da “Geração de Estudantes de 88,” como é conhecido o grupo de Min Ko Naing, parecem estar sendo bem tratados, afirmou o diplomata.

REUTERS MPN

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below