Alta dos preços de alimentos provoca "tsunami silencioso"--ONU

terça-feira, 22 de abril de 2008 17:02 BRT
 

Por Jeremy Lovell

LONDRES (Reuters) - Um "tsunami silencioso" provocado pelo aumento dos preços dos alimentos ameaça 100 milhões de pessoas, disse a ONU na terça-feira, enquanto grupos humanitários alertaram que a situação vai piorar caso grandes países produtores restrinjam suas exportações.

Também na terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que seu governo defenderá mudanças nas metas de uso de biocombustíveis na União Européia caso se comprove que o emprego de terras para a produção de combustíveis está aumentando o preço dos alimentos.

Na véspera, a UE disse que manteria seus planos de incentivo aos biocombustíveis.

Josette Sheeran, diretora do Programa Mundial de Alimentos (PMA, uma agência da ONU), participou na terça-feira de uma reunião de especialistas convocada por Brown para discutir a crise. Antes do evento, ela disse a jornalistas que um "tsunami silencioso" ameaça mais de 100 milhões de pessoas em todos os continentes.

"Este é o novo rosto da fome --os milhões que não estavam na categoria urgente da fome há seis meses, mas agora estão."

Os aumentos globais nos preços dos alimentos, provocados por uma série de fatores --encarecimento dos combustíveis, transtornos climáticos, aumento da demanda e uso da terra para os biocombustíveis--, geram distúrbios em vários países pobres da Ásia, da África e da América Latina.

O arroz da Tailândia, maior exportador mundial, mais do que dobrou de preço neste ano. Importantes exportadores do produto, como Indonésia, Cazaquistão, Egito e Camboja, impuseram restrições às exportações para garantir o abastecimento interno.

Sheeran disse que essa escassez artificial agrava o problema nos países importadores. "O mundo está há três anos consumindo mais do que produz, então os estoques estão foram drenados", afirmou.   Continuação...