Wall Street coloca dinheiro na campanha de Obama

quarta-feira, 4 de junho de 2008 12:16 BRT
 

Por Emily Kaiser

WASHINGTON (Reuters) - Wall Street está apostando seu dinheiro na candidatura presidencial do democrata Barack Obama, apesar dos temores de que seu governo possa elevar impostos e imponha mais regulamentos financeiros e comerciais nos EUA.

Os sinais lidos pelos investidores apontam para uma vitória democrata na eleição de novembro, pois o eleitorado estaria disposto a "punir" o Partido Republicano pela guerra do Iraque e pela desaceleração econômica.

E o fato de Obama nos últimos meses receber uma proporção maior das doações sugere que os investidores preferem apoiar o candidato que tem mais chances.

Obama, que assegurou a indicação democrata ao superar na terça-feira a marca de 2.118 delegados para a convenção nacional de agosto, recebeu 7,9 milhões de dólares em doações de empresas do setor financeiro, segundo dados recolhidos pelo Center for Responsive Politics.

Seu adversário John McCain angariou pouco menos de 4,2 milhões de dólares, o que o coloca atrás de dois pré-candidatos republicanos, Rudolph Giuliani e Mitt Romney, que abandonaram a disputa há vários meses.

No geral, os democratas arrecadaram 57 por cento das contribuições do setor. Caso a tendência persista até a eleição de novembro, seria a primeira vez desde 1994 que eles recebem mais do que os republicanos em um ano de eleição presidencial, segundo dados do CRP.

Mas muitos dizem que isso tem a ver mais com a natureza dessa disputa do que com as simpatias de Wall Street, pois Obama e Hillary precisaram de mais dinheiro para financiar a sua longa disputa interna.

No final de 2007, Hillary liderava a lista de arrecadações em Wall Street, com 6,3 milhões de dólares, segundo o CRP. Obama estava em terceiro, atrás de Giuliani, e McCain aparecia num distante sexto lugar.

Robert Boatright, especialista em finanças eleitorais e professor da Universidade Clark, em Worcester, Massachusetts, disse que os números relativos a McCain podem estar distorcidos caso Wall Street esteja fazendo doações ao Comitê Nacional Republicano, em vez de dirigi-las ao comitê do candidato, já que, pelas regras do financiamento eleitoral, isso poderia restringir o seu acesso ao dinheiro.