26 de Março de 2008 / às 13:40 / 9 anos atrás

Chanceler francês fica na defensiva em questão tibetana

Por Crispian Balmer

PARIS, 26 de março (Reuters) - O chanceler francês, Bernard Kouchner, visto no passado como um paladino dos direitos humanos, negou na quarta-feira que tenha vendido seus ideais ao não criticar com dureza a repressão chinesa no Tibet.

Em entrevistas, ele afirmou que sua posição política atual lhe obriga a ser mais comedido do que na época em que era um ativista de renome mundial.

"Os direitos humanos não podem por si só constituir uma política. Pelo menos quando se está encarregado do Ministério de Relações Exteriores", disse Kouchner ao jornal Libération.

Enormemente popular na França, Kouchner foi um dos fundadores da entidade Médicos Sem Fronteiras e esteve durante décadas na linha de frente de várias campanhas internacionais de direitos humanos.

Muitos de seus colegas socialistas ficaram chocados em 2007 quando ele aceitou o cargo no gabinete centro-direitista do presidente Nicolas Sarkozy. Essas pessoas dizem que sua discreta reação à repressão chinesa contra os protestos tibetanos é uma prova de sua impotência política.

"Qual o ponto de Kouchner?", foi a manchete do esquerdista Libération na quarta-feira.

"Espera-se mais do ex-médico Francês, que sempre se ergueu por causa de sua coragem física e do seu senso de gestos simbólicos em favor da liberdade mundo afora", disse o jornal.

Na semana passada, Kouchner foi um dos primeiros políticos a cogitarem um boicote à cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em agosto, para protestar contra os fatos no Tibet e outras regiões chinesas.

Mas ele rapidamente recuou da idéia, citando a importância de manter as boas relações econômicas com a China.

Essas declarações enfureceram seus amigos da esquerda, que consideram que Sarkozy está restringindo o estilo de seu chanceler.

"Bernard, pare de ficar em cima do muro. Por uma questão como esta, que é tão importante e pela qual você lutou a vida inteira, você tem de se manifestar com força e clareza", disse no fim de semana o veterano político socialista Jack Lang.

Ironicamente, Sarkozy desde então já admitiu a possibilidade do boicote olímpico, algo que Kouchner voltou a citar na quarta-feira, mas insistindo na preservação das relações econômicas.

"Estamos restritos por um certo número de interesses econômicos a fim de não ampliar o desemprego. Isso não significa que não se diga nada", afirmou ele, acrescentando que o próprio Sarkozy nunca tentou calá-lo. "Ele não me usa. Ninguém nunca me mandou calar a boca."

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