July 1, 2008 / 12:18 PM / 9 years ago

Zimbábue descarta possibilidade de criar governo de coalizão

4 Min, DE LEITURA

<p>George Charamba, porta-voz de Robert Mugabe, fala na c&uacute;pula da Uni&atilde;o Africana em Sharm el-Sheikh, Egito, 1o de julho de 2008. Photo by Asmaa Waguih</p>

Por Daniel Wallis e Cynthia Johnston

SHARM EL-SHEIKH, Egito (Reuters) - O Zimbábue rechaçou na terça-feira os apelos para formar uma ampla coalizão de governo como no Quênia para resolver sua crise interna, afirmando que a única solução possível viria "da forma zimbabuana".

No domingo, o presidente do país, Robert Mugabe, 84, tomou posse para um novo mandato de cinco anos depois de as autoridades eleitorais terem anunciado a vitória dele por uma ampla margem de votos no segundo turno do pleito presidencial, realizado na sexta-feira e do qual apenas o dirigente participou.

O processo foi boicotado pela oposição.

"O Quênia é o Quênia. O Zimbábue é o Zimbábue. Nós temos nossa própria história de diálogos sucessivos e resolução dos impasses políticos da forma zimbabuana. A forma zimbabuana não é a fmrma queniana. De jeito nenhum", disse a repórteres George Charamba, porta-voz de Mugabe, em uma cúpula da União Africana (UA) realizada no Egito.

"A forma de resolver o problema é uma forma definida pelo povo do Zimbábue, livre de qualquer interferência externa. E é isso exatamente o que resolverá a questão", afirmou.

A África do Sul encontra-se perto de obter um acordo por meio do qual Mugabe e Morgan Tsvangirai, líder oposicionista, negociariam um governo de unidade nacional, disse um jornal sul-africano.

A reportagem apareceu no dia em que os líderes de países africanos discutiram a crise do Zimbábue na cúpula da UA, realizada em Sharm El-Sheikh em meio a apelos para que o continente condene Mugabe por realizar as eleições em meio a uma onda de violência.

Os líderes africanos devem pressionar pela realização de negociações com vistas a formar um governo de coalizão entre o partido Zanu-PF, de Mugabe, e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla em inglês), de Tsvangirai.

Charamba criticou os países ocidentais que conclamaram Mugabe a renunciar.

"Eles podem ir para o diabo que os carreguem. Ele podem ir para o diabo que os carreguem um milhão de vezes. Eles não podem falar nada sobre a política zimbabuana, nada de nada", disse o porta-voz, acrescentando que Mugabe havia conquistado o mandato dos eleitores zimbabuanos.

"Não se passaram nem mesmo cinco dias, nem mesmo uma semana desde que o povo zimbabuano se manifestou novamente, e vocês já estão querendo que ele se afaste?", perguntou.

Até agora, só as potências ocidentais impuseram sanções financeiras e de viagem contra o líder zimbabuano e as principais autoridades do governo dele.

O presidente norte-americano, George W. Bush, descreveu a eleição como uma armação e disse que pedirá pela adoção de novas sanções, incluindo um embargo de armas.

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