Presidente boliviano diz que crise ameaça "Nação Sul-Americana"

terça-feira, 4 de março de 2008 12:39 BRT
 

LA PAZ (Reuters) - O presidente da Bolívia, Evo Morales, avisou na terça-feira que a crise surgida recentemente entre a Colômbia e o Equador pode prejudicar de forma grave o processo de criação de uma "Nação Sul-Americana" e defendeu a solução do conflito por meio da diplomacia.

Morales afirmou que decidiu, devido à suspensão das relações diplomáticas entre aqueles países por conta de um ataque colombiano contra guerrilheiros acampados em território equatoriano, participar da Cúpula do Grupo do Rio que ocorre no próximo fim de semana na República Dominicana.

O líder da Bolívia havia antes descartado a possibilidade de comparecer ao encontro.

"No momento em que avançamos rapidamente e em que temos documentos capazes de permitir a formação da Nação Sul-Americana, apresenta-se este problema", afirmou Morales em declarações divulgadas por rádios e canais de TV bolivianos.

"Por isso quero dizer ao povo boliviano que sou obrigado a viajar para esta Cúpula do Rio", explicou o mandatário, que suspendeu recentemente uma vista aos EUA e à Europa, além de outras viagens ao exterior, para enfrentar a complexa situação política enfrentada pela Bolívia.

Morales é um fiel aliado do presidente do Equador, Rafael Correa, e do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Chávez também rompeu relações com a Colômbia e determinou o envio de tropas para a fronteira entre os dois países. O presidente boliviano, atual líder interino da União das Nações Sul-Americanas, observou que, depois das cúpulas de Cusco (Peru) e de Cochabamba (Bolívia), previa-se realizar um encontro na Colômbia para constituir formalmente a Unasul, manobra essa agora ameaçada.

"Já temos um documento constitutivo da Unasul e esta reunião estava prevista para ocorrer nos dias 27 e 28, na Colômbia. Agora, na qualidade de presidente interino da entidade, deparo-me com sérios problemas. O Equador não deseja participar do encontro, e tampouco a Venezuela", acrescentou.

"Queremos chegar a um acordo com os presidentes porque essa situação entre a Colômbia e o Equador, segundo acredito, prejudicará enormemente a integração", disse.   Continuação...