Farc autorizam libertação de reféns, diz Chávez

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 20:19 BRST
 

Por Enrique Andrés Pretel

CARACAS/BOGOTÁ (Reuters) - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse na quarta-feira que as Farc finalmente deram sinal verde para a entrega nas próximas horas de duas reféns na selva colombiana, numa operação delicada, que teria também do aval de Bogotá, apesar dos atritos recentes entre os dois governos.

Mais de uma semana depois de ser desmobilizado o pomposo plano de Chávez para recolher as reféns, o presidente venezuelano anunciou que a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) "agora sim" deu as coordenadas para recolher Clara Rojas e Consuelo González.

"Tomara que amanhã na primeira hora os helicópteros venezuelanos saiam de algum ponto do território nacional até o Guaviare (sul da Colômbia) para buscar estas duas compatriotas colombianas e obter sua libertação", disse Chávez em evento com esportistas venezuelanos.

As Farc haviam prometido no final de 2007 libertar a ex-deputada González, de 57 anos, a ex-candidata a vice-presidente Clara Rojas, 44, e o filho que ela teve em cativeiro. A libertação foi anunciada como gesto de "desagravo" das Farc a Chávez, que pouco antes havia sido afastado pelo governo colombiano de uma tentativa de mediação.

Uma comissão internacional e centenas de jornalistas se mobilizaram para acompanhar a entrega, mas a guerrilha nunca indicou as coordenadas, e a operação foi desfeita. Dias depois, soube-se que o filho de Clara Rojas, Emmanuel, não estava em poder da guerrilha.

A Cruz Vermelha confirmou em Bogotá a sua participação na nova tentativa de libertar os reféns e o governo colombiano disse que dará todas as garantias para a realização da operação. "O governo colombiano reitera que estamos dando todas as garantias para que a libertação de Clara Rojas e Consuelo González termine da maneira mais bem-sucedida", disse a jornalistas o alto-comissário para a paz do governo colombiano, Luis Carlos Restrepo.

A Colômbia disse nesta semana que não permitiria a entrada de outras comissões internacionais para receber as reféns.

"Estamos muito, muito contentes de saber que, se Deus quiser, amanhã Clarita e minha mamãe poderão estar livres novamente depois de tanto tempo", disse Patrícia Elena Perdomo, filha de González, a uma TV pública venezuelana.

"Anunciaram para nós um tempo antes, pouco tempinho antes, que já estava tudo pronto para que amanhã seja o grande dia", acrescentou.

(Reportagem adicional de Patricia Rondón Espín em Caracas e Luis Jaime Acosta em Bogotá)