10 de Agosto de 2008 / às 18:47 / 9 anos atrás

Premiê tailandês destituído não regressa à casa

Por Pracha Hariraksapitak

BANGCOC (Reuters) - O primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, não voltará para casa, disse no domingo um partidário, sugerindo que o bilionário das telecomunicações que foi destituído em um golpe em 2006 havia buscado exílio em Londres.

Se for verdade, a decisão de Thaksin de fugir em vez de enfrentar uma série de processos judiciais de corrupção pode significar o início do fim da comoção política que tem atingido o governo e os mercados da Tailândia nos últimos três anos.

"Se Thaksin não for mesmo voltar, o conflito em nosso país diminuirá, o que implica que nossa prolongada crise política logo chegará ao fim", disse Kavee Chukitkasem, chefe de pesquisa na corretora Kasikorn Securities, em Bangcoc.

"Os mercados deverão certamente subir amanhã", acrescentou.

Thaksin deveria retornar no domingo da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim com sua esposa, Potjaman, que foi julgada culpada no mês passado de fraude tributária e condenada a três anos de prisão.

Mas duas fontes da companhia aérea disseram à Reuters que o casal não chegou a embarcar no avião.

Alguns minutos depois, Pracha Prasobdee, membro do partido pró-Thaksin que venceu as eleições pós-golpe em dezembro, disse a repórteres no aeroporto: "Ele não voltará para a Tailândia".

Pracha disse haver recebido informações de um assessor de que Thaksin faria uma declaração "através da imprensa estrangeira" de Londres aproximadamente na mesma hora em que ele e a esposa deveriam se apresentar ao tribunal sob fiança concedida em vários casos contra o casal.

Na quinta-feira, a bolsa de valores registrou um aumento de quatro por cento quando os boatos de que Thaksin e Potjaman poderiam ficar em Londres, onde pelo menos um dos três filhos adultos do casal está estudando.

Thaksin foi destituído do poder pelo exército em um golpe militar em 2006 sob a alegação de "corrupção galopante". Mas sua enorme popularidade no interior do país garantiu a vitória do partido pró-Thaksin nas eleições gerais em dezembro, o que lhe permitiu ter poder sobre as nomeações e decisões do gabinete.

Desde então, os tribunais aceitaram uma série de processos de corrupção contra Thaksin e seu círculo mais próximo, e no mês passado o veredito contra Potjaman indicou que os juízes não se deixariam influenciar por sua riqueza ou poder.

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