26 de Fevereiro de 2008 / às 19:24 / 9 anos atrás

Somália e Iraque estão entre os Estados mais fracos do mundo

Por Sue Pleming

WASHINGTON (Reuters) - A Somália, o Afeganistão, a República Democrática do Congo e o Iraque são os Estados mais fragilizados do mundo, segundo um índice sobre a questão divulgado na terça-feira por dois grupos de pesquisa dos Estados Unidos.

O Instituto Brookings e o Centro para o Desenvolvimento Global classificaram 141 países em desenvolvimento de acordo com seu desempenho em quatro áreas principais --economia, política, segurança e bem-estar social.

Usando esses indicadores, a Somália, o Afeganistão, a República Democrática do Congo lideraram a lista e foram classificados como "Estados falidos." A seguir vieram o Iraque, o Burundi, o Sudão, a República Centro-Africana, o Zimbábue, a Libéria e a Costa do Marfim.

"Em vista do papel que os Estados fracos podem desempenhar na qualidade de incubadores e terrenos férteis para ameaças transnacionais de segurança, investir na capacidade dos Estados de atuar deveria representar uma prioridade mais alta para a política externa dos EUA", disse o relatório.

Um Estado fraco é definido como aquele que não tem a capacidade de criar e manter instituições políticas, proteger a população de conflitos violentos, controlar seus territórios ou satisfazer as necessidades básicas da população.

Depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, estudos indicaram que os Estados fracos ameaçavam a segurança mundial. O atual governo norte-americano, comandado pelo presidente George W. Bush, afirmou que tratar desse problema seria uma prioridade nacional a partir de então.

No entanto, Susan Rice, do Instituto Brookings, co-autora do índice, disse não ter havido esforços suficientes voltados para essa questão, em especial na África subsaariana, onde estão localizados os Estados mais criticamente fragilizados.

"Apesar de todos os discursos surgidos depois do 11 de setembro, o governo norte-americano ainda não adotou o tipo de postura coerente apto a fortalecer a capacidade de atuação dos Estados fracos", disse à Reuters a especialista, que também é assessora de Barack Obama, pré-candidato à Presidência dos EUA pelo Partido Democrata.

Um porta-voz da Casa Branca discordou. "Esse relatório ignora o comprometimento substancial realizado pelo presidente Bush no sentido de ajudar os países, especialmente os da África subsaariana, a recuperarem-se de anos de violência e instabilidade", disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca.

"Apesar de haver, claramente, muito a ser feito, países como a Libéria, visitada há pouco tempo pelo presidente, caminham na direção correta e isso graças à ajuda fornecida pelo presidente Bush e pelo povo norte-americano", afirmou.

O relatório incluiu uma "lista de alerta" com países que deveriam ser monitorados por causa de sua fraqueza acentuada. Entre esses incluem-se a Síria, a Argélia, as Filipinas, Cuba e o Paraguai, mas também a Rússia, que ficou na 65a posição geral, bem como a Índia, na 67a, e a China, na 74a.

"Temos de abandonar o hábito de pressupormos que os Estados que passamos a ver como potências em ascensão -- a China, a Rússia e a Índia -- são todos Estados fortes", afirmou Rice.

Segundo o relatório, há uma relação direta entre a miséria e a fraqueza dos Estados. Os países desenvolvidos deveriam dar mais prioridade aos programas de combate à pobreza.

"A pobreza alimenta e perpetua os conflitos civis, o que reduz pronta e dramaticamente a capacidade de atuação do Estado. Ainda assim, o governo Bush não possui quaisquer estratégias amplas para enfrentar a pobreza nos ambientes institucionais mais problemáticos do mundo", diz o relatório.

O documento também defendeu que a ajuda para os Estados fracos seja mais bem direcionada para dar ênfase à melhoria da segurança.

(Tradução Redação São Paulo, 5511 5644-7745)

REUTERS CP

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