PANORAMA2-Pessimismo sobre bancos domina mercado e derruba ações

quinta-feira, 1 de novembro de 2007 18:19 BRST
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 1o de novembro (Reuters) - As condições do sistema financeiro global voltaram a assustar os investidores nesta quinta-feira, um dia após o corte do juro pelo Federal Reserve, e derrubaram as bolsas de valores na véspera do feriado de Finados.

O tom negativo já despontava no início do dia devido à percepção, causada pelo comunicado divulgado junto com a decisão do Fed, de que não haverá um novo corte do juro na próxima reunião, em dezembro.

A situação, porém, se agravou quando a CIBC World Markets se disse preocupada com o capital do Citigroup e reduziu a nota do maior banco norte-americano para "abaixo do desempenho do setor". O Bank of America (BAC.N: Cotações), segundo maior banco dos Estados Unidos, também sofreu revisão negativa.

"Há uma preocupação com o sofrimento prolongado que vamos ver durante a resolução de alguns desses problemas ligados ao subprime. Ainda que tenhamos visto grandes baixas contábeis, há o temor de que haja mais por vir", disse Owen Fitzpatrick, diretor da unidade de ações norte-americanas do Deutsche Bank Private Wealth Management, em Nova York.

A tensão aumentou a aversão a risco entre os investidores. Os principais índices em Wall Street chegaram a cair mais de 2 por cento, e o risco Brasil subiu mais de 10 pontos, acima dos 180 pontos-básicos.

O clima ruim afetou a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que aproveitou para embolsar antes do final de semana prolongado parte dos ganhos recentes. O mercado de juros futuros também repercutiu, com alta na maioria das projeções negociadas na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

O mercado de câmbio acompanhou a ressaca no exterior e impulsionou o dólar no começo da sessão. O fluxo cambial positivo, no entanto, conteve a valorização da moeda, que subiu apenas 0,58 por cento e fechou ainda abaixo de 1,75 real.

O petróleo também assustou o mercado no começo do dia. No pregão eletrônico norte-americano, o barril da commodity chegou a ser cotado no recorde de 96,24 dólares. Mais tarde, no entanto, o mercado cedeu e permitiu que o petróleo fechasse em queda de pouco mais de 1 dólar.   Continuação...