Fidel Castro critica viagem latino-americana de McCain

terça-feira, 1 de julho de 2008 13:27 BRT
 

HAVANA (Reuters) - O ex-presidente cubano Fidel Casto criticou a viagem do candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, à Colômbia e ao México e disse, em um artigo publicado nesta terça-feira, que o político dos EUA pretende enganar os latino-americanos.

McCain inicia nesta terça-feira um giro pela Colômbia e México, numa tentativa de mostrar sua capacidade em política exterior, como parte da campanha para a eleição presidencial de novembro.

"McCain, um homem que não é conhecido como devoto piedoso, pensa que rezando na Basílica de Guadalupe (no México) enganará aos católicos, protestantes, brancos, negros, índios e mestiços nos países onde a pobreza extrema cresce a dia a dia", disse Castro em um texto divulgado no site oficial Cubadebate (www.cubadebate.cu).

O candidato republicano se reunirá durante sua viagem com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o mexicano, Felipe Calderón, com os quais falará sobre comércio, narcotráfico e imigração.

Afastado do poder desde que ficou doente há quase dois anos, Fidel descreveu McCain como o candidato dos "falcões do império" e o acusou de ter vínculos com a "máfia terrorista" de exilados cubanos em Miami.

No texto datado de 30 de junho, o ex-presidente cubano criticou também a política imigratória dos EUA, que oferece vantagens aos cubanos que emigram ilegalmente.

Fidel descreveu a decisão do governo norte-americano de autorizar 20 mil cubanos a emigrar anualmente para os EUA como um "sacrifício" feito por Cuba "em nome da reunificação familiar." Os que emigram ilegalmente pelo mar ou através de outros países, como o México, cometem uma "falta desprezível de ética," disse.

"É o roubo descarado de cérebros e de braços produtivos que nossa pátria. Em sua luta heróica, tem o dever de combater com firmeza," afirmou Fidel, referindo-se à emigração ilegal através do México, tendo os EUA como destino.

Fidel Castro, de 81 anos, foi substituído em fevereiro na presidência por seu irmão Raúl.

Muitos cubanos esperam que o novo presidente, que começou a eliminar algumas proibições, como a de hospedar-se em hotéis ou possuir telefones celulares, simplifique num prazo curto as restrições para viagens ao estrangeiro.

(Reportagem de Nelson Acosta)