Garibaldi pede punição à espionagem e ordena varredura no Senado

segunda-feira, 1 de setembro de 2008 15:13 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), alvo de suposta escuta telefônica, pediu medidas enérgicas do governo para punir eventuais responsáveis pela espionagem.

Reportagem da revista Veja, com base em servidor anônimo da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusa a instituição de grampear o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, Garibaldi, ministros e outros políticos.

A autoria da suposta espionagem ainda não foi confirmada.

"Se fazem necessárias medidas enérgicas, mas a atribuição de decidir o que será feito e com quem é do presidente da República", disse Garibaldi a jornalistas nesta segunda-feira.

No Senado uma nova teoria sobre a origem do grampo passou a circular. Segundo a tese, a escuta telefônica que gravou a conversa de Gilmar Mendes com o senador oposicionista Demóstenes Torres (DEM-GO) poderia ter sido feita no Senado e não necessariamente no gabinete do presidente do STF.

Diante desta hipótese, Garibaldi mandou realizar uma varredura nos gabinetes para checar a possibilidade da existência de grampos. Ele não descarta uma CPI para tratar do caso, a exemplo da comissão que já funciona na Câmara.

"Por enquanto não se falou nisso, mas a depender das medidas (que o Planalto vier a tomar) pode ser que sim", afirmou.

A CPI do Grampos, na Câmara, ouve na terça-feira o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix.

O STF tem uma reunião extraordinária na tarde desta segunda-feira e existe a expectativa de uma reação institucional contra possível espionagem. O presidente do Supremo esteve reunido pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas nenhuma das partes se manifestou.

A Abin anunciou abertura de sindicância para investigar a denúncia e sugeriu que o Ministério Público e a Polícia Federal também investiguem o caso. A Abin não tem prerrogativa de fazer escutas telefônicas, mas o governo enviou em abril desse ano projeto de lei permitindo a quebra de sigilo de comunicações telefônicas pela agência. (Reportagem de Natuza Nery)