Abin tem divisões e é "monstro" sem controle, avaliam políticos

segunda-feira, 1 de setembro de 2008 17:50 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é um ninho de conflitos internos e um "monstro sem controle", na opinião de políticos do governo e da oposição.

Acusada pela revista Veja de espionar o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e outros integrantes do Executivo e do Legislativo, o órgão está no epicentro de várias denúncias e sob a mira das instituições atingidas.

"Parece haver uma guerra fria interna lá. Parece que há igrejinhas lá dentro disputando poder e isso fragiliza a direção da Abin, como está acontecendo agora", afirmou à Reuters o senador governista Renato Casagrande (PSB-ES).

"A Abin tem que perder a ala do SNI (serviço secreto do regime militar). O corpo pode até ser novo, mas o espírito é velho", acrescentou o senador.

Independente de ter ou não participação no recente episódio de escutas ilegais, há na agência uma briga cristalizada. O setor de operações, coração do serviço secreto e área responsável pelas investigações da instituição, é alvo de disputas entre diversos grupos.

Nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Lacerda assumiu a diretoria-geral da Abin no ano passado com a incumbência de exercer mais controle sobre ela. De lá para cá, a agência já foi envolvida em dois casos rumorosos. No primeiro, por ocasião da operação Satiagraha, Lacerda negou o uso de grampos para contribuir com a Polícia Federal. Agora, o tema de escuta ilegal volta à berlinda.

Legalmente, a Abin não tem prerrogativa de operar com escutas ilegais.

REMANESCENTES DO SNI   Continuação...