August 1, 2008 / 5:28 PM / 9 years ago

Minc flexibiliza solução definitiva para urânio de Angra 3

4 Min, DE LEITURA

RIO DE JANEIRO, 1o de agosto (Reuters) - O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, amenizou nesta sexta-feira as exigências impostas para a operação da usina nuclear Angra 3, divulgadas na semana passada, ao conceder licença prévia para o projeto.

A solução definitiva para os rejeitos nucleares, cobrada pelo ministro mas que teve forte reação da indústria nuclear, não precisa ser tão definitiva assim, explicou Minc.

"O início da solução definitiva tem que vir antes da Licença de Operação, daqui a quatro anos... a solução definitiva ainda não foi encontrada", explicou Minc.

Ele explicou que atualmente o resíduo atômico das duas usinas em operação, localizadas no mesmo local onde será construída Angra 3, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, está guardado em uma piscina embaixo do reator nuclear, a 100 metros da praia.

"Os rejeitos não podem ficar a 100 metros da praia num lugar que se chama Itaorna, que quer dizer "pedra podre", e ainda em cima de uma falha geológica", disse o ministro que sempre foi contrário à energia nuclear mas concedeu a licença prévia com 60 exigências.

Na avaliação de Minc, que lançou nesta sexta-feira um mapeamento da bacia de Santos do ponto de vista ecológico, mostrando quais lugares não seriam recomendáveis para instalação de unidades das empresas petrolíferas, se o projeto nuclear fosse iniciado hoje, o local onde estão localizadas as usinas Angra 1 e 2 não teria sido aprovado.

"Não só as usinas, mas vários terminais para receber combustíveis não teriam sido aprovados", afirmou. "Mas ecologista não chora o óleo derramado, cuida para que daqui para frente melhore", completou.

Ele voltou a lembrar que ao aceitar o ministério se comprometeu a agilizar as licenças, porém aumentar as exigências, e é isso que continuará praticando, principalmente nos grandes projetos.

SANTO ANTÔNIO

A usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira, por exemplo, cuja licença ambiental será concedida nos próximos três dias, também terá que adotar um parque ecológico e cuidar do saneamento de Porto Velho e Jaci Paraná, cidades próximas ao empreendimento.

"Vão ter que adotar o Parque Nacional de Mapinguari, no sul do Amazonas, que o presidente Lula criou a meu pedido no dia 5 de junho, com 1,5 milhão de hectares, umas 500 Florestas da Tijuca", afirmou Minc que era secretário do Ambiente do Estado do Rio Janeiro, onde fica localizada a Floresta da Tijuca, antes de assumir o ministério.

Ele afirmou que a adoção de parques será exigida daqui para frente a todos os grandes empreendimentos que impactem o meio ambiente.

Minc informou ainda que em breve o governo vai editar um decreto de compensação energética para que cada 100 megawatts gerados de energia a partir de matriz energética fóssil tenha uma compensação de 5 a 7 por cento de energia renovável.

"Não podemos reagir à alta do petróleo apenas com subsídio, por isso precisamos de uma descarbonização", justificou.

Reportagem de Denise Luna; Edição de Roberto Samora

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