Crise belga se aprofunda após fracasso de negociação da coalizão

sábado, 1 de dezembro de 2007 13:37 BRST
 

Por Philip Blenkinsop

BRUXELAS, 1o de dezembro (Reuters) - A incerteza política na Bélgica se aprofundou neste sábado quando o aspirante ao cargo de primeiro-ministro Yves Leterme abandonou esforços para formar um governo de centro-direita composto por quatro partidos após o fracasso de uma maratona de negociações.

Os cristãos-democratas flamengos, os liberais flamengos e suas contrapartes de língua francesa têm negociado durante 174 dias desde as eleições gerais de junho, mas parecem ter fracassado no objetivo central de conceder mais poder às regiões.

Leterme havia estipulado o meio-dia de sábado como prazo final para que os quatro partidos assinassem uma proposta de reforma do Estado, mas não houve consenso em torno do documento e o líder foi ao rei Albert pedir dispensa da tarefa de formar um novo governo.

"O rei aceitou esse pedido", afirmou o palácio em comunicado.

O futuro político da Bélgica está agora incerto, sem uma alternativa de coalizão óbvia, alimentando especulações de uma possível dissolução do Estado federativo linguisticamente dividido.

Conversas sobre a possibilidade de o país de 177 anos se dividir em regiões francesa e holandesa têm incomodado o setor produtivo, que argumenta que o impasse começará a afastar investidores estrangeiros potenciais e já estaria prejudicando a disciplina fiscal.

Analistas políticos acham que o país permanecerá unido apesar das pressões crescentes, em parte por causa das dificuldades relacionadas à separação das instituições e da divisão da pesada dívida pública.

O futuro de Bruxelas, uma região separada dentro de Flandres que é oficilamente bilíngue, mas tem uma maioria de idioma francês, também teria de ser definido.

A maioria dos belgas apóia a unidade, ainda que, entre a população de língula holandesa esse apoio tem se reduzido.