Paulo Bernardo questiona gastos da Fiesp com Sistema S

quinta-feira, 1 de novembro de 2007 14:12 BRST
 

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, rebateu pressões da classe empresarial pela não renovação da CPMF e questionou transparência nos gastos de tributos repassados ao setor.

Em audiência para discutir a CPMF na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quinta-feira, Paulo Bernardo ironizou o fato de a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ter dito que o governo pode prescindir da arrecadação da CPMF e reclamado da proposta de reduzir a contribuição das empresas ao sistema S (Sesi, Senai, Sesc e Senac).

"Eles acreditam que pimenta no olho dos outros é refresco", disse Bernardo.

A redução no Sistema S foi uma das medidas proposta pelo Ministério da Fazenda para garantir o apoio do PSDB à proposta de emenda constitucional que prorroga a CPMF até 2011, com alíquota de 0,38 por cento.

"Não sabemos o que é feito com os 13 bilhões de reais do Sistema S porque o TCU não fiscaliza. A sede da Fiesp na Avenida Paulista é mais luxuosa que a dos bancos", atacou Bernardo na audiência.

O porta-voz da Fiesp, Ricardo Viveiros, falando em nome de seu presidente Paulo Skaf, rebateu a suspeita do ministro.

"Quem responde pelo sistema S são 1 milhão de matrículas feitas por alunos todos os anos no Sesi e Senai", disse à Reuters. Segundo o porta-voz, além das escolas técnicas, os recursos são empregados em esporte, lazer, cultura e em serviços médicos, odontológicos e nutricionais, entre outros.

"O presidente Lula sempre diz que, depois da dona Marisa, o que ele mais gosta é o Senai, onde fez curso", ironizou.