ESPECIAL-Governo fomenta criação de grande farmacêutica nacional

segunda-feira, 5 de novembro de 2007 17:25 BRST
 

Por Renata de Freitas

SÃO PAULO (Reuters) - O BNDES não esconde o jogo: tem o objetivo de constituir uma empresa farmacêutica de capital nacional e alcance global. A reunião de dois ou três laboratórios brasileiros resultaria numa indústria com faturamento anual de 2 bilhões de dólares, que poderia aplicar 5 por cento desse valor em pesquisa e desenvolvimento --seria uma iniciativa de grande porte para os padrões locais.

Essa é a mensagem que o banco de fomento vai levar a representantes da indústria em um encontro no final de novembro com associações do setor, quando apresentará formalmente a versão ampliada do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde, o Profarma. O BNDES tem 3 bilhões de reais para aplicar até meados de 2012 no programa.

"Continuamos acreditando que o setor farmacêutico precisa se consolidar. Precisamos construir empresas grandes que possam concorrer nos Estados Unidos e na Europa", afirmou o diretor do departamento encarregado do Profarma, Pedro Palmeira, à platéia do fórum "Um modelo para a Política Farmacêutica", do Projeto Brasil, na semana passada.

O movimento nessa direção tem certa urgência, segundo o executivo do BNDES. O Brasil passa por um momento favorável, com quatro empresas de capital nacional entre as dez maiores do setor, de acordo com o ranking IMS Health, de setembro.

"Se não aproveitarmos a onda, esse potencial vai ser comido por empresas estrangeiras. Todo país desenvolvido tem indústria farmacêutica forte", declarou Palmeira à Reuters. A Índia e a China são exemplos de países que avançaram e hoje são exportadores, inclusive para o Brasil.

A balança comercial brasileira do setor completará em dezembro uma década de déficit anual acima de 1 bilhão de dólares FOB. O cenário piorou com a valorização do real nos últimos quatro anos, estimulando a importação de medicamentos acabados e de matéria-prima, os princípios ativos. Só este ano até setembro, o déficit já superava os 2 bilhões de dólares.

O BNDES descarta que o foco sejam as exportações, alega que prefere o desenvolvimento do mercado local, mas quer a transferência de tecnologia para o país --e isso seria possível com a criação de uma multinacional brasileira. O BNDES gostaria de ter uma fatia minoritária, mas isso não é uma exigência. Em pequenas empresas, o banco já tem 33 por cento da Nanocore e 20 por cento da Nortec, da Genoa e da Bioinovation.

BOVESPA É APENAS MAIS UMA OPÇÃO   Continuação...