Gabrielli cobra nos EUA corte da tarifa de importação de etanol

quinta-feira, 1 de novembro de 2007 17:07 BRST
 

Por Claudia Parsons

NAÇÕES UNIDAS, 1o de novembro (Reuters) - Os Estados Unidos deveriam reduzir suas altas tarifas sobre as importações de álcool porque sua produção do biocombustível a partir do milho está pressionando para cima os preços mundiais dos alimentos, disse na quinta-feira o presidente da Petrobras (PETR4.SA: Cotações)PBR.N, José Sergio Gabrielli.

Na semana passada, o relator especial da Organização das Nações Unidas sobre alimentos, Jean Ziegler, pediu uma moratória de cinco anos para os biocombustíveis, afirmando que é um "crime contra a humanidade" converter alimentos em combustível quando quase um bilhão de pessoas passam fome no mundo.

Brasil e Estados Unidos são grandes produtores de álcool, mas Gabrielli destacou que a produção brasileira é de cana-de-açúcar, enquanto o etanol norte-americano é feito de milho, alimento cujo preço está aumentando.

Gabrielli rejeitou o pedido de uma moratória.

"O mais importante é controlar a expansão das safras que estão produzindo etanol, mais do que ter uma moratória", disse Gabrielli à Reuters na Organização das Nações Unidas, onde participou de uma reunião do Pacto Global da ONU sobre práticas responsáveis de negócios.

Questionado sobre a alta dos preços dos alimentos, Gabrielli afirmou: "É verdade, mas essa é uma situação que os EUA têm que lidar. Como você tem aqui barreiras tarifárias muito grandes, não dá para trazer etanol de outras fontes para os Estados Unidos".

"Acho que é preciso reduzir as barreiras para a entrada, é preciso diversificar as fontes de produção, controlar a expansão para não chegar a áreas que são para produção de alimentos", disse ele.

Os temores com a mudança climática impulsionaram a demanda por combustíveis alternativos, mas o aumento do volume de biocombustível tem sido criticado por alguns que afirmam que isso reduz a terra necessária para o plantio de alimentos.   Continuação...