1 de Abril de 2008 / às 11:37 / em 10 anos

UBS eleva capital após perda forte e afasta presidente

ZURIQUE (Reuters) - O UBS dobrou nesta terça-feira baixas contábeis decorrentes da crise no setor de financiamento imobiliário de alto risco norte-americano, demitiu o presidente do conselho e buscou mais capital de emergência em uma segunda tentativa de inverter seu quadro.

<p>Logotipo do banco su&iacute;&ccedil;o UBS, em cruzamento de Lausanne. Photo by Denis Balibouse</p>

As ações do banco suíço disparavam 6,8 por cento após o anúncio, com investidores apostando que as medidas marcam o momento de virada da instituição que agora lidera a lista dos mais atingidos pela crise global de crédito.

O UBS divulgou uma baixa contábil adicional de 19 bilhões de dólares, levando o total de perdas da instituição com a crise do chamado setor subprime para 37 bilhões de dólares, o que causou um prejuízo líquido de 12 bilhões de francos suíços (12,03 bilhões de dólares) no primeiro trimestre.

O banco informou que está buscando mais 15 bilhões de francos suíços por meio de uma emissão de ações, elevando para 34 bilhões de francos o total de capital de emergência requisitado pelo UBS. A instituição divulgou ainda que vai separar todas as porções fracas do banco em uma unidade separada.

As medidas foram mais drásticas que o esperado por muitos. Esta é a segunda tentativa do UBS para por um fim à crise surgida em sua arriscada expansão para a área de banco de investimento.

“Isso é provavelmente sinal de um ponto de reviravolta para o UBS”, disse o analista David Williams, da corretora Fox-Pitt Kelton.

A crise causou a saída do presidente do conselho do banco, Marcel Ospel, amplamente criticado por permitir que a instituição navegasse em águas perigosas na tentativa ambiciosa de tornar-se o maior banco de investimentos do mundo.

Ospel, que já foi um dos nomes mais importantes do establishment suíço, mas agora amplamente criticado, informou que decidiu deixar o posto na noite de segunda-feira em um momento em que o banco se prepara para ir aos acionistas buscar dinheiro pela segunda vez. O UBS indicou seu advogado, Peter Kurer, para ocupar a vaga de Ospel.

O UBS já substituiu quase toda a sua administração e viu o valor de suas ações cair mais que a metade desde junho, quando a força da crise de crédito começou a ser sentida.

Mais cortes de empregos na divisão de banco de investimetnos, a fonte dos prejuízos, estão a caminho, informou o presidente-executivo da instituição, Marcel Rohner, em teleconferência com jornalistas.

O UBS informou que vai criar uma nova divisão para lidar com os ativos em dificuldades depois que suas posições vinculadas a hipotecas de risco pioraram mais ao longo do trimestre.

A criação da unidade permitirá ao UBS confinar os problemas de crédito em uma divisão separada, permitindo à administação se concentrar nas operações lucrativas do grupo e aos investidores enxergar o valor delas.

Analistas esperavam que o banco registrasse baixas contábeis adicionais de 10 a 20 bilhões de francos em 2008.

O UBS informou que a emissão de novas ações foi subscrita por um grupo de bancos liderado por JPMorgan, Morgan Stanley, BNP Paribas e Goldman Sachs.

Reportagem adicional de Douwe Miedema, Amanda Cooper, Rupert Pretterklieber, Dominic Lau

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