Indústria se acomoda em maio e monitora inflação

terça-feira, 1 de julho de 2008 12:05 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A produção industrial brasileira se acomodou em maio sob efeito do calendário, após dois meses de alta consecutiva. Para junho, a expectativa é de crescimento, mas a inflação pode começar a pesar sobre o setor mais à frente.

A atividade industrial recuou 0,5 por cento frente a abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira. O desempenho ficou abaixo das expectativas de analistas consultados pela Reuters, que esperavam leve alta de 0,3 por cento.

"Há uma redução no ritmo entre abril e maio mas, como há efeito do calendário, o ideal é olhar para a média móvel que, assim como em abril, cresceu 0,1 por cento e mostrou uma estabilidade", afirmou o economista do IBGE Silvio Sales.

"O empresário ainda não se mostra desanimado. Talvez a inflação venha a ser um problema para mexer com o ânimo do consumidor... Essa sensação de preços mais altos pode, no segundo trimestre, ter efeito negativo sobre a produção", acrescentou à Reuters.

O economista do IBGE destacou que em junho o calendário pressionará positivamente a produção na comparação com maio, com um dia útil a mais. "Essa é uma tendência deste ano, ora puxa para cima e ora para baixo. Em junho, vai puxar para cima."

Das 27 atividades pesquisadas pelo IBGE, 16 registraram queda na produção entre abril e maio. As principais pressões vieram de setores como Veículos automotores, com queda de 5,5 por cento, Máquinas e equipamentos, recuo de 4,7 por cento, e Alimentos, com queda de 1,3 por cento.

Na comparação com maio do ano passado, a produção industrial avançou 2,4 por cento --também abaixo das estimativas do mercado, que apontavam para um ganho de 4,6 por cento.

No ano, a atividade acumula expansão de 6,2 por cento. Nos últimos 12 meses, o avanço foi de 6,7 por cento.

(Por Rodrigo Viga Gaier)