1 de Outubro de 2008 / às 20:15 / em 9 anos

ANÁLISE-Setor automotivo vê acomodação mas não freio por crise

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO, 1o de outubro (Reuters) - A crise financeira internacional não freia, ao menos por enquanto, um dos setores que vem puxando o crescimento econômico brasileiro: o automotivo.

Isso porque as perspectivas econômicas internas continuam positivas e propícias à venda de veículos, ainda que se considere uma desaceleração decorrente da crise. Além disso, analistas lembram que o planejamento do setor não é de curto prazo e, com isso, as empresas já teriam garantidos os recursos para os investimentos pretendidos.

“A crise lá fora é muito forte, mas aqui não vamos falar ‘vou fechar a porta da minha loja porque a coisa lá está feia’. Não é o caso”, afirmou à Reuters Sergio Reze, presidente da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Segundo ele, as restrições nos mercados de crédito das maiores economias do mundo não chegam a ser um obstáculo imediato para o setor no Brasil. Reze citou que os prazos de financiamento “continuam bons” no país, apesar de um encurtamento recente.

A crise global se aprofundou em setembro, mês em que as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no mercado interno brasileiro subiram quase 10 por cento ante agosto e 32 por cento em relação a igual período do ano passado, segundo a Fenabrave.

BLINDAGEM

Para André Beer, ex-vice-presidente da General Motors do Brasil, ex-presidente da Anfavea e atual presidente da consultoria André Beer Consult e Associados, o governo brasileiro está agindo corretamente para proteger a economia.

“O efeito não será tão danoso quanto em outros países. As ações tomadas pelo nosso governo fazem uma blindagem”, com a política monetária antiinflacionária e o adiamento do compulsório sobre operações de leasing

“Fora isso é esperar as medidas lá fora, porque ninguém sabe o efeito do pacote norte-americano e eventuais pacotes menores em outros países. O mundo está em compasso de espera. Qualquer conclusão precipitada não é válida”, afirmou Beer, referindo-se ao plano de socorro às instituições financeiras de 700 bilhões de dólares proposto pelos Estados Unidos.

A previsão da Fenabrave e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de crescimento recorde de vendas e produção este ano.

A visão que já imperava desde o começo do ano era de que o setor cresceria com força no primeiro semestre, perdendo um pouco de ritmo na segunda metade de 2008, em razão do aperto monetário, da base de comparação forte no ano passado e de uma acomodação natural após vários recordes.

A Anfavea informou em março que a indústria automotiva brasileira irá investir cerca de 20 bilhões de dólares em três anos, até 2010.

Os recursos para esses investimentos, normalmente vêm do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou das matrizes. E o BNDES já afirmou que pode atender um eventual aumento na demanda por empréstimos.

“Os investimentos não são assim de um mês para o outro. O investimento que a fábrica vai fazer hoje ou no fim do ano já foi planejado antes”, lembrou um especialista do setor automotivo, que preferiu não ser identificado.

Edição de Daniela Machado

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