ANÁLISE-Petróleo bate marca recorde de US$100 e pode subir mais

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008 16:12 BRST
 

LONDRES, 2 de janeiro (Reuters) - Os preços do petróleo, que atingiram a marca de 100 dólares o barril pela primeira vez nesta quarta-feira, provavelmente subirão ainda mais ao longo dos próximos cinco anos, a não ser que o crescimento econômico vacile e reduza a demanda por combustíveis.

A queda na produção em algumas áreas fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), crescimento robusto da demanda puxado por países como a China e as dificuldades das refinarias para atender novos padrões de consumo devem ser fatores que estenderão o rali iniciado em 2002.

"O petróleo pode subir ainda mais a partir daqui", afirmou Kris Voorspools, analista do Fortis em Bruxelas. "É simplesmente fundamento de oferta e demanda", acrescentou.

"A demanda está crescendo, e acredito que há um problema estrutural no setor de refino. Existe uma demanda maior por produtos de maior qualidade, e as refinarias simplesmente não estão prontas para fazer esses tipos de produto".

O avanço para 100 dólares do contrato futuro de petróleo negociado em Nova York CLc1 nesta quarta-feira colocou o preço do barril próximo ao valor recorde, com ajuste pela inflação, de 101,70 dólares registrado em 1980, quando a guerra entre o Irã e o Iraque disparou uma crise de oferta da commodity.

"Temos dificuldade em vislumbrar qualquer cenário que não aponte para preços médios indo de maneira firme para cima", afirmou Kevin Norrish, analista do Barclays Capital em Londres.

"Isso tem sido puxado pelas mesmas tendências que já estão presentes... o crescimento da demanda deve continuar estável apesar dos preços altos".

A restrição na oferta pelos países-membros da Opep ajudou os preços da commodity a subirem quase 58 por cento no ano passado, o maior ganho anual em uma década.

O cartel, responsável por mais de um terço do petróleo mundial, optou por manter sua produção no mesmo patamar na reunião de dezembro, negando o pedido das nações consumidores por um aumento no volume ofertado pelos países da organização.

O enfraquecimento do dólar, tensões políticas no Oriente Médio e o aumento do apelo financeiro do petróleo para investidores também contribuíram para a subida dos preços.

(Reportagem de Alex Lawler)