Cuba começa a vender computadores à população

sexta-feira, 2 de maio de 2008 15:57 BRT
 

HAVANA (Reuters) - Cuba começou formalmente na sexta-feira a venda de computadores à população, antes permitida somente a empresas e estrangeiros. Com isso, o país continua a série de reformas implementadas no último mês.

A restrição à venda de computadores fazia parte do que o novo presidente Raúl Castro chamou, no fim de 2007, de "excesso de proibições e medidas legais que trazem mais danos que benefícios".

"Para mim, parece bom que o Estado tenha iniciado este processo legalmente. Se queremos um país melhor, temos de permitir que as pessoas tenham recursos para se desenvolver profissionalmente", disse Elizabeth Reyes, empregada doméstica de 46 anos que pesquisava preços em uma loja em Havana.

Segundo a imprensa oficial, mais de 3,7 milhões de pessoas usaram um computador em Cuba em 2007, apesar de apenas 5 por cento terem um em casa.

Nas últimas semanas, o governo liberou a venda de aparelhos de DVD e outros eletrodomésticos, assim como o acesso a hotéis antes restritos aos estrangeiros.

"É uma oportunidade que não tinha antes. Estou tranquila, já que tenho um ano de garantia", disse Caridad Paz, 42 anos.

A Reuters constatou que os computadores chineses, da marca QTECH, Celeron, custam entre 555 e 711 pesos conversíveis cubanos (CUC), o que equivale a entre 599,4 e 768 dólares americanos.

Mesmo assim, ter um computador é quase impossível para a maioria dos cubanos, cuja média salarial é de 409 pesos cubanos --que valem 24 vezes menos que o CUC--, o que dá 17 dólares ao mês. Todos os bens e serviços liberados são vendidos somente em pesos conversíveis.

Até agora, os cubanos só podiam comprar computadores no mercado negro ou no exterior. Outros montavam seus computadores peça por peça, pois os componentes eram vendidos nas lojas estatais cubanas.   Continuação...