Ações de empresas de fertilizantes despencam por incertezas

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 11:59 BRT
 

NOVA YORK, 2 de outubro (Reuters) - As ações de companhias norte-americanas produtoras de fertilizantes registravam fortes quedas nesta quinta-feira seguindo a divulgação de um relatório em que a Merrill Lynch reduziu a recomendação de compra dos papéis dessas empresas devido a incertezas sobre os faturamentos futuros.

A corretora reduziu as recomendações para as empresas Potash Corp (POT.TO: Cotações) (POT.N: Cotações), Agrium Inc (AGU.TO: Cotações) (AGU.N: Cotações), Mosaic Co (MOS.N: Cotações), Intrepid Potash IPI.N, CF Industries (CF.N: Cotações) e Terra Industries TRA.N.

As ações das empresas do setor já haviam perdido valor na quarta-feira, depois que a Mosaic divulgou dados do último trimestre mostrando ganhos menores do que os esperados.

A Mosaic informou ainda que pretendia reduzir a produção de fosfato nos próximos meses devido aos níveis elevados dos estoques.

"Com os preços do fosfato caindo, os do nitrogênio atingindo um teto e os do potássio subindo menos que o esperado, há muita incerteza sobre o faturamento dessas empresas no curto prazo", disse o analista Don Carson, da Merrill.

Empresas produtoras de fertilizantes registraram um ótimo desempenho recentemente devido à maior demanda por produção de alimentos seguindo preços recordes das commodities agrícolas.

Mas os preços elevados dos fertilizantes começaram a afetar as compras por parte dos produtores, que decidiram usar menos produto que o normal, e a recente crise financeira reduziu os preços das commodities, também afetando a perspectiva de compras futuras de adubos.

As ações da Mosaic, uma das líderes do setor, resultado da união da Cargill com a IMC Global em 2004, caíam mais de 30 por cento nesta quinta-feira na bolsa de Nova York. As outras empresas sofriam perdas de aproximadamente 20 por cento.

"Como os preços do milho recuaram bastante no último mês, há uma apreensão de que agricultores em todo o mundo irão reduzir o uso de fertilizantes devido aos preços elevados do produto, o que poderia comprometer a demanda", afirmou o analista do Goldman Sachs, Edlain Rodriguez, acrescentando que há ainda problemas com obtenção de crédito pelos produtores tanto nos EUA como no Brasil.

(Reportagem de Euan Rocha)