ANÁLISE-Bancos na A.Latina encaram aperto global do crédito

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 16:55 BRT
 

Por Elzio Barreto

SÃO PAULO, 2 de outubro (Reuters) - Os bancos latino-americanos, atingidos pela queda das ações financeiras neste ano, enfrentarão uma forte desaceleração do crescimento dos empréstimos devido à crise de liquidez que está assolando os mercados globais.

Diferentemente de diversos bancos na Europa, Ásia e Estados Unidos, as companhias latino-americanas possuem pouca ou nenhuma exposição ao Lehman Brothers LEHMQ.PK ou ao crédito hipotecário de alto risco.

Bancos latino-americanos lidaram com hiperinflação, volatilidade política e desvalorização de suas moedas durante os anos de 1980 e 1990, tornando-os mais cautelosos do que seus parceiros norte-americanos. Crises bancárias na região também forçaram os governos a implementarem regulamentações mais rigorosas.

Ainda assim, a escassez de liquidez nos mercados globais já pressionou os custos dos empréstimos e reduziu drasticamente o crédito disponível na região, ameaçando o crescimento das anteriormente aquecidas economias do Brasil e México.

As linhas de credito para exportação estão praticamente secas no Brasil e tomaram um baque no Chile, enquanto na Venezuela o governo ordenou aos bancos que prepararem um fundo para cobrir possíveis perdas com ativos do Merrill Lynch MER.N e do Lehman.

Na Argentina, os bancos têm visto uma desaceleração nos empréstimos e nos depósitos e no México os índices de inadimplência subiram um pouco.

O Bradesco BBDC4.SA (BBD.N: Cotações), maior banco privado brasileiro, reduziu os prazos de financiamento de automóveis para 48 a 60 meses em comparação aos 72 meses anteriores, enquanto os empréstimos consignados foram reduzidos para 60 meses, ante 84 meses.

O banco também se tornou mais seletivo para conceder empréstimos tanto para consumidores quanto corporações.   Continuação...