ANÁLISE-Sem "coronéis", DEM "derrete" e vira partido parlamentar

domingo, 5 de outubro de 2008 21:38 BRT
 

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 5 de outubro (Reuters) - Apesar de uma possível vitória em São Paulo, o desempenho do Democratas neste primeiro turno mostra que o partido perdeu base política e se afirma como legenda parlamentar.

O DEM calcula ter lançado nestas eleições 1.252 candidatos, 12 deles em capitais, mas vai fechar a disputa municipal com patamar de vitórias bem abaixo da média histórica, segundo previsões próprias.

Em 2004, quando já apresentara sensível diminuição no número de eleitos por conta da chamada onda Lula, lançou 1.759 nomes e conquistou o comando de 790 cidades. Nas estimativas atuais, porém, considera uma proeza se eleger 400 prefeitos.

PFL até o ano passado, esta é a primeira eleição do partido desde que trocou de nome. O objetivo da mudança foi recuperar a perspectiva perdida de poder, estratégia que parece não ter dado certo neste primeiro teste das urnas.

"O DEM está derretendo. São Paulo não o salva. As perspectivas não são animadoras. Nenhum partido grande sofreu queda tão brutal quanto ele", afirmou à Reuters o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB).

"Vai virar um partido médio, parlamentar, e terá uma base pequena para usar de cabo eleitoral em 2010", acrescentou.

O que analistas chamam de encolhimento político, muitos democratas classificam como renascimento partidário.

"Sabemos que não podemos alcançar o número de prefeitos do PT, PSDB e PMDB, mas mudamos de nome, de cara e de programa e estamos recomeçando", disse o deputado Alcenir Guerra (DEM-PR), considerado um dos pensadores do partido.   Continuação...