3 de Outubro de 2008 / às 20:20 / 9 anos atrás

Vitória esperada da base aliada abre disputa de poder por 2010

Por Fernando Exman

BRASÍLIA, 3 de outubro (Reuters) - O resultado das eleições municipais desencadeará uma queda-de-braço entre os partidos da coalizão governista. Com as vitórias que esperam nas urnas, as legendas aliadas devem iniciar uma disputa pelo poder de influência na formação de uma chapa para a sucessão presidencial de 2010.

Pesquisas de intenção de voto apontam que as siglas aliadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem ganhar em 20 das 26 capitais.

“Esta eleição é uma sinalização de forças e vai mostrar quem são os atores relevantes no processo de 2010”, disse à Reuters Lúcio Rennó, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).

PT e PMDB devem conquistar as maiores vitórias. O PT lidera em Rio Branco, Porto Velho, Fortaleza, Recife, Vitória, Palmas e São Paulo, onde deve disputar o segundo turno.

O PMDB tem chances de ganhar em Florianópolis, Campo Grande, Goiânia, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Em Salvador, peemedebistas e petistas disputam a preferência do eleitorado com o deputado ACM (DEM). No Sul, PMDB, PT e PCdoB brigam pela administração de Porto Alegre.

O PTB deve vencer em Manaus, enquanto o PSB poderá contabilizar uma vitória em Belo Horizonte. Apesar de ser apadrinhado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT), Márcio Lacerda, atual líder das pesquisas na capital mineira, é filiado ao partido socialista.

COALIZÃO DIFÍCIL

Devido a esse potencial sucesso, líderes dos partidos aliados dizem que o melhor a fazer é manter a coesão da base para permanecer no poder depois de 2010.

Mas é justamente nesse ponto que a disputa entre as siglas aliadas deve ocorrer. As legendas competirão para indicar os candidatos a presidente e vice-presidente.

Até agora, a pré-candidata favorita do presidente Lula é a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT). Outros partidos aliados podem, entretanto, lançar candidatos, como o PSB do deputado Ciro Gomes (CE), que flerta também com a possibilidade de postular a vaga de vice-presidente.

Detentor do maior número de prefeituras e da maior bancada no Congresso, o PMDB pretende garantir a condição de parceiro prioritário do presidente Lula e seu partido -- seja indicando o candidato a presidente ou a vice, o que hoje parece o mais provável.

“O partido sai fortalecido, portanto pronto para discutir com muita autoridade 2010”, disse à Reuters o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN).

“O nosso projeto será o do presidente Lula. Estamos afinados e cada vez mais próximos”, acrescentou o parlamentar.

Para o líder do PT, deputado Maurício Rands (PE), o partido também sairá mais musculoso do pleito municipal e mais bem posicionado para concorrer à eleição presidencial.

“É pouco provável para um partido como o PT, que sai fortalecido das eleições, tem o presidente e simboliza a redução da pobreza e a democracia participativa, não ter candidato”, disse Rands.

Ele defende que os partidos se esforcem por manter a aliança em 2010 e afirma que pelo menos no segundo turno todas as legendas da base governista estejam unidas.

“Vamos tentar que a candidatura do PT agregue o maior número possível de partidos da base aliada”, acrescentou.

Na opinião de Rennó, apesar de dificilmente acontecer, a repetição da atual formação aliada logo no primeiro turno da corrida presidencial garantiria muita força ao candidato governista.

“Isso é muito difícil, pois há muitos projetos políticos diferentes (no grupo)”, comentou o acadêmico.

Não bastasse, o núcleo político do governo terá outro desafio ao final das eleições municipais: acelerar o processo de cura das feridas causadas pela campanha, já que os partidos aliados se enfrentaram em diversas cidades.

Por isso, o presidente Lula convocou uma reunião do conselho político para a segunda-feira. Além de discutir a crise financeira internacional, a cúpula do governo e líderes partidários farão um balanço do primeiro turno das eleições.

“Algum tipo de estremecimento que porventura possa ter tido na eleição, logo logo cicatriza”, comentou à Reuters o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO).

Edição de Mair Pena Neto

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