Em clima de pânico, mercados se ressentem da falta de liquidez

quinta-feira, 2 de outubro de 2008 15:56 BRT
 

Por Daniela Machado

SÃO PAULO, 2 de outubro (Reuters) - A histeria tomou conta dos mercados financeiros mais uma vez nesta quinta-feira.

Nem mesmo a aprovação do pacote de socorro aos bancos pelo Senado norte-americano na véspera foi capaz de ofuscar as preocupações com uma recessão mundial e, principalmente, com a escassez global de crédito.

"Não tem nada de diferente" para justificar o movimento dos mercados nesta sessão, afirmou Joel Bogdanski, consultor de análise econômica do Itaú. "É aperto de liquidez, o pacote ainda não aprovado (na Câmara dos EUA) e mesmo a dúvida de quando ele começará a ter efeito."

"Tudo isso gera um pessimismo que contamina em geral. Ninguém tem nenhum fato alentador para ser otimista."

As variações bruscas nos pregões --como a queda de mais de 3 por cento do índice Dow Jones .DJI e de mais de 9 por cento do Ibovespa .BVSP-- surpreenderam muitos analistas, que esperavam que o avanço na tramitação do pacote dos Estados Unidos pudesse servir como calmante num mercado já tão atormentado.

Às 15h40, o Ibovespa desabava 9,35 por cento, a 45.153 pontos, enquanto o dólar disparava 5,8 por cento, para 2,037 reais. Desde agosto do ano passado, a moeda norte-americana não superava a marca de 2 reais.

"Há muitas empresas multinacionais com dívidas vencendo e, como não têm acesso a crédito, acabam fazendo remessa daqui do Brasil. É uma demanda nova por dólar", apontou o estrategista de um banco estrangeiro, que pediu para não ser identificado.

Os investidores aguardam para sexta-feira a votação do pacote norte-americano na Câmara dos Deputados --que rejeitou a versão inicial do projeto na segunda-feira. Ainda que agora o plano tenha mais chances de ser aprovado, a dúvida sobre quando a confiança no setor financeiro e a liquidez serão retomados deve continuar assombrando os mercados.

"O pacote não resolve o problema da liquidez. Será preciso uma consolidação ainda maior do sistema financeiro", acrescentou o estrategista.

(Edição de Alexandre Caverni)