CÂMBIO-Dólar se acomoda após série de baixas e opera em alta

segunda-feira, 2 de junho de 2008 10:48 BRT
 

SÃO PAULO, 2 de junho (Reuters) - O dólar operava em leve alta nesta segunda-feira, aproveitando o cenário mais cauteloso, com queda das bolsas de valores, para se acomodar após três quedas consecutivas.

Às 10h48, a moeda norte-americana BRBY era cotada a 1,632 real, em queda de 0,25 por cento. O dólar fechou abaixo de 1,63 real na sexta-feira, menor valor desde janeiro de 1999.

"O mercado está se ajustando. Não é fluxo, nem mudança de estratégia", resumiu Jorge Knauer, gerente de câmbio do Banco Prosper, no Rio de Janeiro.

"Se você olhar os últimos três pregões, foi queda forte. É bem suficiente para quem acertou esse movimento se zerar, principalmente com a bolsa ruim", acrescentou.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhava o desempenho negativo dos índices futuros em Wall Street e exibia queda de cerca de 1,5 por cento no início do pregão. O setor financeiro, que tem sofrido há quase um ano com a crise global de crédito, é o principal foco de pessimismo nesta sessão.

A volatilidade do dólar, porém, não tira a tendência de queda da moeda norte-americana. O aumento do juro básico esperado para a reunião de quarta-feira do Comitê de Política Monetária (Copom) deve reforçar os investimentos de curto prazo em aplicações financeiras no país.

"O mercado está em dúvida entre (alta no juro de) 0,5 e 0,75 (ponto percentual). Qualquer uma das duas significa um aumento de taxa de juro num ambiente de investment grade. Essa combinação é muito favorável à queda do dólar", disse Knauer.

Na semana passada, a agência Fitch concedeu ao Brasil o grau de investimento --avaliação de que o país oferece um ambiente seguro para investimentos. A Standard & Poor's, um mês antes, já havia atribuído o novo status do Brasil.

No mercado futuro, os estrangeiros eliminaram no final da semana passada a aposta em uma alta do dólar diante do real. A posição comprada em moeda norte-americana, considerando os mercados futuros de dólar e de cupom cambial, foi de cerca de 3 bilhões de dólares no começo da semana para pouco menos de 30 milhões de dólares no final de sexta-feira.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Cláudia Pires)