Entidades condenam tortura a jornalistas no Rio por milícia

segunda-feira, 2 de junho de 2008 18:33 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A entidade internacional de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteiras e outros grupos representantes de jornalistas no Rio de Janeiro manifestaram, nesta segunda-feira, indignação com o incidente em que uma equipe do jornal O Dia foi sequestrada e torturada por integrantes de uma milícia durante cobertura em uma favela da cidade.

O jornal carioca denunciou que uma repórter, um fotógrafo, um motorista e além de um morador da favela Batan, na zona oeste, foram capturados no dia 14 de maio e submetidos a torturas durante sete horas cometidas por membros da milícia que controla a favela.

A reportagem sobre o caso, publicada na edição de domingo, não informa o nome dos jornalistas e do motorista e nem identifica os torturadores.

O envolvimento de policiais na tortura foi confirmado pelo secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, na noite de domingo.

O secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, Robert Ménard, enviou nesta segunda-feira carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e ao governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), solicitando a criação de uma comissão de investigação com participação federal e estadual encarregada de "esclarecer e castigar as ações deste tipo de milícia".

"Repórteres sem Fronteiras ficou perplexa ao saber que tais ações foram cometidos por agentes da ordem pública, supostamente encarregados de lutar contra a insegurança e o tráfico de drogas nos bairros mais problemáticos", disse Ménard, de acordo com cópia da carta publicada no site da ONG.

A equipe do jornal viveu de forma clandestina na favela Batan por 14 dias com o objetivo de realizar uma reportagem sobre a atividade das milícias, antes de ser capturada e submetida a torturas com choques elétricos e asfixia com sacos plásticas.

As milícias, formadas por policias e bombeiros da ativa e aposentados, ocupam cerca de 10 por cento das 600 favelas do Rio e oferecem suposta proteção em troca de pagamento. Em algumas comunidades, eles se firmam no controle da favela expulsando traficantes de drogas.

O Sindicado dos Jornalistas Profissionais do Rio e a Federação Nacional de Jornalistas criticaram os responsáveis pelo jornal O Dia por expor a vida de seus profissionais.   Continuação...