June 3, 2008 / 2:34 PM / 9 years ago

ENTREVISTA-Após pré-sal, PETROBRAS aposta em Jequitinhonha

7 Min, DE LEITURA

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Depois de abrir para o Brasil uma nova perspectiva ao encontrar reservas gigantes de petróleo na camada pré-sal, a Petrobras parte agora para uma nova fronteira na bacia do Jequitinhonha, um bloco de águas profundas no sul da Bahia que está sendo tratado como prioridade na companhia.

A aposta é tanta que, segundo o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella, uma sonda que operava no campo de Júpiter, na cobiçada camada pré-sal, será deslocada no final do ano para o bloco BM-J-3, dividido em 60 por cento para a Petrobras e 40 por cento para a norueguesa Statoil .

"É uma alocação que a gente leva grande fé, é prioritário, temos que abrir novas fronteiras e as perspectivas são muito boas", disse Estrella à Reuters para o Global Energy Summit.

O bloco em águas profundas foi adquirido por 13 milhões de reais na quarta rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na época do leilão, geólogos comparavam a bacia de Jequitinhonha à formação geológica da bacia de Campos, atualmente responsável por 80 por cento dos cerca de 1,8 milhão de barris de petróleo diários produzidos no país.

"Na avaliação dos geólogos é um prospecto de elevada atratividade (...), por isso vamos tirar a sonda do pré-sal e ir para lá", explicou.

Mesmo eleita prioridade, Jequitinhonha não tira o brilho das descobertas na chamada área pré-sal da bacia de Santos e nem do recente anunciado óleo leve (36 graus API) no bloco BM-S-40, conhecido como Tiro, em águas rasas na mesma região e que também apresenta configurações geológicas novas.

Enquanto a área pré-sal teve seus testes de produção prejudicados pela falta de equipamentos no mercado, e pelo fato de a Petrobras ter que comprovar descobertas para manter os blocos junto à ANP, Tiro, por ser em águas rasas, poderá ter seu projeto acelerado.

"Lá temos sondas para furar porque é menos profunda, o pessoal está estudando se faremos testes de longa duração ou piloto de produção", afirmou.

A sonda usada em Tiro poderá seguir para Sidon, outro bloco com potencial de óleo leve. Também está sendo estudada a adaptação da plataforma que está no campo de Coral, no litoral do Paraná, que está se esgotando, para acelerar a produção de Tiro, segundo Estrella.

"Estamos resolvendo se vamos perfurar Sidon ou continuar em Tiro...seria uma excelente oportunidade conseguir deslocar a sonda que está em Coral para lá", informou.

SONDAS PARA O PRÉ-SAL

Já no pré-sal, até o momento apenas a área de Tupi teve suas reservas recuperáveis estimadas --entre 5 e 8 bilhões de barris de óleo equivalente--, mas Estrella espera uma enxurrada de boas notícias em 2009, quando chegam 7 das 11 sondas encomendadas pela companhia em 2005/2006 para serem recebidas entre 2009 e 2010.

Além das 11 sondas, a empresa recebe em fevereiro de 2009 mais duas sondas para Tupi, e uma terceira está prevista para janeiro de 2010, todas da norueguesa Seadrill, quando será feito o teste piloto para produção de 100 mil barris diários. No longo prazo, mais 40 sondas serão encomendadas para explorar a área.

"Este ano (2008) será um ano difícil, mas em 2009 já chegam mais sondas para o pré-sal", explicou o executivo.

Segundo Estrella, a idéia inicial é colocar as três sondas da Seadrill em Tupi, "mas os consórcios podem repassar para outros e ir para outro prospecto", disse ao comentar informação do presidente da BG do Brasil, Luiz Costamilan, de que uma das sondas seria instalada em Carioca, outra área com grande potencial anunciado pela companhia.

Sem querer comentar o potencial das reservas de Carioca, que já causou polêmica após o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, dizer que as reservas poderiam chegar a 33 bilhões de barris de óleo equivalente --informação que não foi confirmada pela estatal--, Estrella afirmou que vai negociar um plano de avaliação com a ANP e, no ano que vem, novos poços serão abertos com as sondas que chegam ao país.

No momento, informou o diretor, a empresa está finalizando perfurações em Guará, um dos nove blocos que detém no pré-sal e onde possui 45 por cento, sendo o restante da BG (30 por cento) e da Repsol (25 por cento), empresas que também estão com a Petrobras em outros blocos na cobiçada região.

"Estamos acabando de perfurar Guará e Iara e testando Júpiter, vamos avaliar o que temos na mão e apresentar para a ANP para formular planos de avaliação... antes de 2009 não teremos mais nenhum poço em qualquer dessas descobertas", informou.

A sonda que está em Guará, informou, pertence à Repsol e terá que seguir para o Golfo do México.

Mas se a empresa adiou para 2009 os planos de novas perfurações na bacia de Santos, a região conhecida como Parque das Baleias, na bacia de Campos, deverá gerar em outubro o primeiro óleo pré-sal do país, no campo de Jubarte, que dará experiência à companhia para o desenvolvimento do campo de Tupi. "É óleo leve e esperamos uns 8 a 10 mil barris por dia, será a primeira produção de pré-sal da empresa", informou.

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