Desemprego volta a crescer na OCDE, salários não acompanham

quarta-feira, 2 de julho de 2008 09:41 BRT
 

Por Brian Love

PARIS (Reuters) - O desemprego está em alta de novo nas economias industrializadas que formam a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) este ano e o aumento dos salários deve cair ainda mais em relação aos ganhos em produtividade, afirmou a entidade.

Em relatório divulgado nesta quarta-feira, a OCDE projeta um aumento de um milhão neste ano e de dois milhões no próximo no número de desempregados entre os 30 países mais ricos que formam a entidade, totalizando 34,8 milhões de desempregados em 2009 ante 31,7 milhões em 2007.

"A tendência de queda no desemprego dos últimos anos deve ser revertida em 2008", afirmou a OCDE, que estima que a taxa de desocupação atingirá 6 por cento em 2009 ante 5,6 por cento no ano passado, que foi a menor taxa desde 1980.

Após anos de forte crescimento econômico global, a situação piorou nas regiões industrializadas, a partir do fim do boom do setor de moradias e do começo do aperto do crédito nos Estados Unidos, o que marcou o início de uma desaceleração mais ampla.

Apesar da inflação estar se acelerando no momento por causa do avanço dos preços dos alimentos e do petróleo, a situação parece menos dramática do que nos anos de 1970, afirmou Stefano Scarpetta, principal autor do relatório da OCDE.

"A inflação é a principal fonte de preocupação, mas ela não subiu dramaticamente", afirmou Scarpetta, chefe da divisão de políticas de emprego da organização sediada em Paris, à Reuters.

A globalização e as reformas do mercado de trabalho reduziram o poder de barganha por salários dos trabalhadores e a habilidade das empresas de repassar custos mais altos para seus preços de venda, limitando o escopo de uma espiral de aumento de preços e salário, no estilo da registrada nos anos 1970.

A taxa média de salário (por empregado no setor empresarial) subiu 1,2 por cento em 2007 ante 0,9 por cento em 2006, afirmou a OCDE no relatório. Isso foi mais do que compensado pelo aumento de 1,3 por cento da produtividade no ano passado.

"As projeções da OCDE indicam que o crescimento da taxa média real de compensação na região da OCDE vai desacelerar para 0,5 por cento em 2008, antes de subir para 1,3 por cento em 2009", afirmou a entidade no documento.