Competição e câmbio seguram preços de carros--Fenabrave

quarta-feira, 2 de julho de 2008 14:24 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Competição, câmbio e maior produtividade estão contrabalançando a demanda aquecida e os custos internacionais de insumos em alta, possibilitando a estabilidade dos preços do setor automotivo, segundo a Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O setor registrou o melhor junho em vendas, batendo recorde no primeiro semestre, informou a Fenabrave na quarta-feira.

Nos semestre, as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil somaram 1,407 milhão, alta de 30 por cento sobre 2007. Em junho, o avanço foi de 5,8 por cento sobre maio e de 28,8 por cento ante o mesmo mês de 2007.

Em meio a uma aceleração da inflação no país, o presidente da Fenabrave, Sérgio Reze, descartou os temores de que a demanda forte e aumentos de preços de produtos como aço possam levar a reajustes no setor.

"Temos o câmbio desvalorizado --e muitos insumos são cotados em dólar (o que reduz o impacto da alta das commodities internacionais)--, temos uma competição acirrada, uma escala maior de produção (que abre espaço para negociações de preços) e há uma luta constante por redução de custos no setor", disse ele a jornalistas.

"Você vê por um ano e meio ou mais as concessionárias anunciando o mesmo preço para o mesmo carro. Existem muitas promoções."

Reze manteve sua previsão de que o setor venda entre 19 e 20 por cento mais neste ano que em 2007, atingindo novo recorde anual, ainda estimulado por prazos de financiamentos extensos e renda e crédito em expansão.

"Este mercado forte está aí para ficar... Houve uma melhora da economia em geral, que irá atravessar bem a crise mundial devido a medidas tomadas com antecedência pelo nosso governo, e do emprego e da renda", acrescentou Reze.

Ele apenas ressaltou que o segundo semestre será ligeiramente mais fraco que o primeiro, devido a uma acomodação natural após fortes taxas e à base alta de comparação com a segunda metade do ano passado.

Julho deve ser um mês menos forte, já que é um período de férias, previu o presidente.

(Reportagem de Vanessa Stelzer)