JURO-Mesmo sem indicadores, taxas avançam com medo de inflação

quarta-feira, 2 de julho de 2008 16:21 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 2 de julho (Reuters) - O medo da inflação continuou a pressionar os juros futuros nesta quarta-feira, mesmo com a agenda de indicadores esvaziada e comentários do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a alta dos preços está sob controle.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 subiu de 13,36 para 13,43 por cento, e o DI janeiro de 2010 --o mais negociado-- avançou de 15,19 para 15,34 por cento.

Os agentes mantiveram a cautela mesmo com a ausência de novidades no cenário de inflação. A dúvida entre o mercado é se as medidas tomadas pelo governo surtirão efeito ou se precisarão ser intensificadas nos próximos meses.

"Para o próximo Copom, o mercado já começa a trabalhar com alta de 0,75 (ponto percentual). E já fica com medo de poder vir 1,0 ponto", disse Renato Schoemberger, operador da Alpes Corretora, ao comentar sobre a expectativa para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária. "O mercado está pessimista".

O Copom elevou a Selic em 0,50 ponto percentual em cada uma das duas últimas reuniões. A taxa está em 12,25 por cento ao ano, e o próximo encontro do Copom será nos dias 22 e 23 de julho.

A turbulência internacional contribuiu para a alta dos juros futuros, acrescentou Schoemberger. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caía quase 3 por cento .BVSP e o petróleo bateu recorde acima de 143 dólares.

Em meio ao clima ruim, teve pouca repercussão um comentário do ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Não há nenhuma razão para desespero ou pânico, como eu vejo em algumas opiniões. Nós temos as armas para enfrentar esse fenômeno da inflação", disse o ministro em audiência a uma commissão da Câmara dos Deputados.

Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, disse em relatório que o mercado de juros "está absolutamente 'descolado' das manifestações de membros do governo de que a inflação 'está sob controle'".

O BC fez duas operações no mercado aberto no começo do dia. Na primeira, recolheu 21,856 bilhões de reais dos bancos, até 9 de julho, a 12,20 por cento ao ano. Na segunda, tomou 41,043 bilhões de reais, a 12,18 por cento, por 1 dia.

(Edição de Renato Andrade e Daniela Machado)