PETROBRAS poderá rever projetos se Rio de Janeiro cobrar ICMS

terça-feira, 2 de outubro de 2007 14:26 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 2 de outubro (Reuters) - A cobrança de ICMS sobre a produção de petróleo pelo governo do Estado do Rio de Janeiro poderá fazer a Petrobras (PETR4.SA: Cotações) rever projetos, mas não vai atrapalhar os planos de crescimento da companhia, disse o diretor de exploração e produção da estatal, Guilherme Estrella.

Responsável por mais de 80 por cento de todo o petróleo produzido no país, o Rio de Janeiro, ao abandonar um acordo de isenção de tributos com outros Estados, considera ter o direito de cobrar ICMS das empresas petrolíferas. Agora o Rio negocia a forma de como será feita a cobrança.

"Vamos fazer uma nova rodada de revisão dos projetos e podemos rever sim, mas as negociações com o governo do Estado ainda estão em andamento", disse Estrella a jornalistas, durante assinatura de convênio para restaurar o Museu de Ciências da Terra, no Rio de Janeiro.

"Sou favorável que a produção de petróleo seja taxada, mas não pode inviabilizar os projetos", complementou.

Ele lembrou que os custos de maneira geral estão subindo na indústria do petróleo devido aos preços elevados da commodity, mas que a empresa tenta reduzir outras despesas para compensar essa elevação de preços.

"A 'repetibilidade' de projetos que estamos fazendo ajuda a reduzir os custos e o prazo", disse Estrella, referindo-se à "clonagem" de projetos de plataformas que já estão em operação, como a P-56, que será uma cópia da P-51.

Estrella afirmou que a Petrobras vai terminar este ano com alta de reservas e de produção, que deverá ser em média de 1,850 milhão de barris diários em 2007, contra 1,780 milhão registrados em 2006.

Sobre especulações da sua saída da empresa para o governo acomodar aliados políticos, o funcionário de carreira da estatal --que estava aposentado e voltou à ativa no governo Lula-- foi comedido: "O cargo é de confiança do Conselho (de Administração da Petrobras), se o Conselho quiser me tira", afirmou.