Festa cívica abre campanha em Salvador antes da data oficial

quarta-feira, 2 de julho de 2008 17:34 BRT
 

SALVADOR (Reuters) - Maior festa cívica da Bahia, o cortejo do Dois de Julho levou os candidatos à prefeitura de Salvador ao primeiro corpo-a-corpo com o eleitorado ainda antes do início oficial da campanha.

O Dois de julho, feriado baiano, é a data que relembra a entrada em Salvador das tropas que expulsaram os portugueses que resistiam à independência do Brasil, no ano de 1823. No desfile, sempre aberto pelo governador do Estado e pelo prefeito da capital é comum a livre manifestação popular. Em ano eleitoral, os políticos testam sua popularidade no cortejo que é feito a pé, junto com o povo.

Nenhum conflito aconteceu, mas os grupos exibiram força e marcaram posições. Antes do cortejo, funcionários da prefeitura, comandada por João Henrique, candidato à reeleição pelo PMDB, arrancaram faixas de propaganda do candidato petista Walter Pinheiro colocadas no trajeto.

O grupo de Pinheiro, por sua vez, colou com o governador Jaques Wagner e tomou a frente do cortejo logo após a solenidade de abertura.

O governador aproveitou para responder às declarações do deputado José Carlos Aleluia, do DEM, que o chamou de "Dona Flor e seus três prefeitos" em alusão a seu apoio aos candidatos Walter Pinheiro (PT), João Henrique (PMDB) e Antonio Imbassahy (PSDB). "Eles estão com saudade do estilo do chefe (Antonio Carlos Magalhães), mas não faço política assim; apenas tenho três candidatos na base", afirmou Jaques Wagner.

Ao grupo de militantes que pedia a volta do nome original Dois de Julho ao aeroporto de Salvador, que foi rebatizado em Brasília como Aeroporto Deputado Luis Eduardo Magalhães, Wagner reconheceu "o equívoco do Congresso Nacional na homenagem ao deputado falecido", mas disse que já existe um projeto sobre o assunto tramitando na Câmara.

O "fantasma" do senador ACM, que não perdia um desfile, foi lembrado também pela figura do neto, que é o candidato do DEM à prefeitura. Ao lado do candidato a vice, o bispo Marinho (PR), e dos ex-governadores Paulo Souto (DEM) e César Borges(PR), ACM Neto reclamou de sindicalistas e peemedebistas que "bloqueavam a passagem" nas ruas e estariam impedindo o avanço de seu grupo.

Neto criticou a ação "eleitoreira" do prefeito, que exibiu a sua recém criada guarda municipal e anunciou a instalação de câmaras de seguranças nos bairros: "São propostas do meu programa que ele copiou só agora", fustigou o candidato do DEM.

Último na fila dos candidatos e sem reclamar, o ex-prefeito Antonio Imbassahy, do PSDB, e seu vice Miguel Kertzman (PPS), fizeram a caminhada acompanhados de lideranças partidárias e comunitárias. "A receptividade foi ótima porque o povo reconhece nosso trabalho pela cidade", comemorava o candidato no final do desfile. (Reportagem de José de Jesus Barreto)