2 de Julho de 2008 / às 20:31 / em 9 anos

ATUALIZA-Mantega: inflação não é motivo para alarmismo

(Texto atualizado com mais comentários do ministro da Fazenda)

BRASÍLIA, 2 de julho (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou nesta quarta-feira avaliações que considera “alarmistas” sobre o processo inflacionário no país. Segundo ele, a alta dos preços ocorre em ritmo moderado, está sob controle e o consumidor não precisa estocar produtos.

“Nós temos as armas para enfrentar esse fenômeno da inflação e não está faltando comida e nem petróleo”, disse em audiência a uma comissão da Câmara dos Deputados.

“Não há nenhuma razão para desespero ou pânico, como eu vejo em algumas opiniões.”

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 5,58 por cento em 12 meses até maio, acima da meta central de 4,5 por cento, e analistas estimam que chegará ao final do ano em 6,3 por cento.

“Está havendo certo exagero na análise da inflação brasileira, um certo alarmismo que é absolutamente fora de propósito”, acrescentou Mantega.

Ele destacou que notícias que superestimam o efeito da elevação dos preços podem levar consumidores a adotar medidas como estocar produtos. “É totalmente desnecessário fazer estoques”, frisou.

Preços que subiram recentemente, como o de alimentos, tendem a cair em futuro próximo, argumentou o ministro. Para ele, o crédito e as vendas do varejo já dão sinais de desaceleração no país, cumprindo objetivo perseguido pelo governo, que entende que o crédito deve crescer a taxas inferiores aos 30 por cento observados nos últimos anos.

O ministro ressaltou, contudo, que a idéia do governo não é “abortar o crescimento”.

“É apenas uma pequena correção de rota, uma ligeira desaceleração no crescimento”, disse, acrescentando que a economia crescerá em uma faixa de 4,5 a 5,0 por cento.

O Brasil está em situação privilegiada por ser produtor das commodities que mais subiram nos últimos meses, como petróleo, alimentos e minério, acrescentou Mantega.

“O combate à inflação é necessário, está sendo feito e nós podemos manter o crescimento.”

FUNDO SOBERANO

Mantega também anunciou que o projeto de lei do governo propondo a criação do fundo soberano do país será encaminhado ao Congresso na quinta-feira.

O fundo receberá o equivalente a 0,5 por cento do Produto Interno Bruto em receitas em 2008, cerca de 14 bilhões de reais, e será utilizado como instrumento de política anti-cíclica --assim, os recursos deverão ser utilizados para investimentos em anos de menor crescimento.

Os recursos direcionados ao fundo serão obtidos por meio de cortes de despesas no Orçamento, o que contribuirá para o esfriamento da demanda no país, disse Mantega.

Ele acrescentou que os reais do fundo poderão ser usados para a compra de dólares no mercado doméstico, o que reduziria a pressão de valorização do real, mas afirmou que não considera “interessante” depreciar a moeda nacional no momento atual de aceleração da inflação.

No futuro, o fundo soberano também deverá ser engordado com recursos da exploração do petróleo no país.

“Aí será um fundo bastante vigoroso, com muitos bilhões de dólares”, disse o ministro.

Uma das idéias defendidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo Mantega, é que parte das verbas do fundo seja aplicada em educação.

Reportagem de Isabel Versiani; Edição de Daniela Machado

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