JURO-Taxas recuam com menor aversão a risco no exterior

quarta-feira, 2 de abril de 2008 16:13 BRT
 

SÃO PAULO, 2 de abril (Reuters) - A maioria das projeções de juros caiu nesta quarta-feira na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), repercutindo a percepção mais otimista no exterior sobre os desdobramentos da crise global de crédito.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 <0#2DIJ:> recuou de 12,36 por cento para 12,33 por cento. O DI janeiro de 2010, que teve o maior giro nesta sessão, caiu de 13,21 por cento para 13,17 por cento.

"O que fez as taxas recuarem um pouco foi o cenário externo, com a visão de que parece que o pior da crise já passou. O mercado ficou com uma aversão menor ao risco", disse Rodrigo Ferreira, operador do Banco Alfa de Investimento.

Em Nova York, o risco Brasil 11EMJ recuava à tarde 5 pontos-básicos, para 268 pontos. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançava pouco mais de 0,50 por cento, e o dólar teve a maior queda em cerca de duas semanas.

Ferreira acrescentou que a alta acumulada nas últimas semanas favoreceu ajustes para baixo nesta sessão. "Os juros (futuros), com um prêmio considerado muito alto, acabaram recuando nos últimos dias. Mas nada que tenha visto uma mudança de perspectiva dos investidores quanto à Selic".

O mercado projeta alta da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 15 e 16 de abril. Atualmente, a Selic está em 11,25 por cento ao ano.

Ferreira afirmou que o mercado repercutiu "um pouco" as notícias sobre o corte orçamentário planejado pelo governo para tentar evitar a necessidade de um ciclo de alta dos juros.

"Mas é uma coisa que não impactaria as decisões de política monetária no curto prazo", pontuou.

À tarde, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, confirmou à Reuters que o governo deve anunciar nesta semana um corte entre 14 bilhões e 20 bilhões de reais. Ele ressaltou, porém, que a meta de superávit primário será mantida.

No mercado aberto, o Banco Central recolheu 36,418 bilhões de reais dos bancos, por dois dias, a 11,20 por cento ao ano.

(Por Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)