OCDE vê enfraquecimento da economia européia, EUA ainda incertos

terça-feira, 2 de setembro de 2008 18:30 BRT
 

Por Brian Love

PARIS, 2 de setembro (Reuters) - A economia européia está desacelerando mais acentuadamente que o previsto e a Grã-Bretanha está próxima de uma recessão, enquanto Estados Unidos e Japão estão conseguindo um desempenho um pouco melhor, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A inflação pode cair devido à queda dos preços do petróleo e à tentativa de estabilização nos preços de outras commodities, mas enquanto isso a zona do euro terá que enfrentar a situação sem a ajuda de cortes na taxa básica de juro, disse o economista-chefe da OCDE, Jorgen Elmesjkov.

A economia dos EUA, onde começou o atual declínio econômico no mundo industrializado, teve melhor desempenho no segundo trimestre, mas está gravemente debilitada pela queda no mercado de moradias, que ainda não terminou, informou a OCDE.

"A turbulência no mercado financeiro, o declínio no mercado imobiliário e a alta dos preços das commodities continuam a forçar o crescimento global para baixo", disse a OCDE, um dos principais organismos internacionais que realizam previsões, em um comunicado.

"Os modelos de previsão de curto prazo da OCDE apontam para uma atividade fraca até o fim do ano."

A OCDE optou por não usar a palavra "recessão" para descrever a situação de qualquer um dos países que analisa, mesmo a Grã-Bretanha, onde prevê contração econômica no terceiro e quarto trimestres, fato suficiente para definir tecnicamente uma recessão.

A OCDE elevou a previsão anual de crescimento norte-americano para 1,8 por cento, ante 1,2 por cento estimado em junho, e reduziu as expectativas para a zona do euro para 1,3 por cento, frente 1,7 por cento, e para o Japão para 1,2 por cento, ante 1,7 por cento.

Para o G7 como um todo, a previsão para 2008 é de crescimento de 1,4 por cento, a mesma divulgada em junho.

Elmeskov disse que, com recessão ou não, a Grã-Bretanha está basicamente estagnada, o continente europeu "mal está se arrastando" e os EUA continuarão parecendo enfermos mesmo se obtiverem um impulso ao longo do ano a partir da redução da taxa básica de juro e dos esforços do governo para estimular a aceleração econômica.