Para general Félix, é difícil comprovar grampo na Abin

terça-feira, 2 de setembro de 2008 17:54 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, afirmou nesta terça-feira que é tecnicamente difícil comprovar a participação de integrantes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em vazamento de informações.

A Abin será investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, além de promover sindicância interna, sobre a acusação de escuta telefônica ilegal.

Embora tenha demonstrado interesse de levar até o fim as investigações sobre grampos contra autoridades dos três poderes, o ministro disse que o histórico da agência revela essa dificuldade de comprovação.

"Há precedentes de (suspeita de) vazamento de informação e uma dificuldade muito grande de se comprovar que isso aconteceu. É uma situação difícil porque gera um clima de desconfiança, é um dilema que nós vivemos", afirmou o chefe do Gabinete de Segurança em depoimento à CPI das Escutas Telefônicas Clandestinas, da Câmara, conhecida como CPI do Grampo.

Segundo o general Félix, desde 2003 há quatro ou cinco sindicâncias internas para provar vazamentos, mas nunca se conseguiu comprovação. O ministro disse que um grupo de servidores já foi condenado no governo de Fernando Henrique Cardoso, mas recorreu à Justiça e continua na Abin até o fim do processo, com acesso limitado a informações.

O ministro defendeu a Abin como instituição, mas admitiu que um de seus integrantes possa ter cometido alguma irregularidade.

"Servidores da Abin são seres humanos. Pode ser alguém da agência? Grau de probabilidade baixa para mim porque os chefes têm controle", disse Félix, destacando que as pessoas se conhecem há muito tempo e que dificilmente alguém rompe a confiança.

IMAGEM NEGATIVA

A direção da Abin foi afastada temporariamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na segunda-feira, depois de reportagem da revista Veja acusar o órgão de interceptar ligações telefônicas de integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário.   Continuação...