SUMMIT-Bernardo:corte no Orçamento considera meta fiscal de 3,8%

quarta-feira, 2 de abril de 2008 15:45 BRT
 

Por Isabel Versiani e Daniela Machado

BRASÍLIA/SÃO PAULO, 2 de abril (Reuters) - O governo deve anunciar esta semana um corte de despesas orçamentárias entre 14 bilhões e 20 bilhões de reais, com ênfase em uma redução das despesas previstas em emendas parlamentares, afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Ele explicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliará três possibilidades de ajuste no Orçamento baseadas em perspectivas "mais ou menos otimistas" para a economia.

"Tem que saber o que vai acontecer com a nossa economia neste ano. Até aqui tudo caminha de uma forma muito boa, a nossa receita está se comportando bem, mas esse cenário internacional pode afetar de alguma maneira a nossa economia e provocar uma redução da nossa receita", afirmou no Reuters Latin America Investment Summit.

Bernardo acrescentou que também será levada em consideração o volume de desonerações a ser concedido na política industrial a ser anunciada pelo governo e o montante de recursos direcionados à área da saúde.

O ministro frisou que, ao programar suas receitas e despesas, o governo vai mirar a meta de superávit primário equivalente a 3,8 por cento do Produto Interno Bruto. Uma eventual mudança, caso definida, seria anunciada "com transparência".

Paulo Bernardo afirmou ainda que a concessão de grau de investimento ao Brasil é "irrelevante neste momento".

"Acho que não faz diferença nenhuma. O que é grau de investimento hoje? Com todo o respeito, essas agências de classificação de risco precisam se classificar. Para nós, acho que é irrelevante neste momento."

(Com reportagem adicional de Alexandre Caverni, Renato Andrade e Mair Pena Neto)